Acusação é inverossímil, diz Greenhalgh

Ex-deputado diz que teve conversa franca com padre e Lancellotti foi convincente ao negar acusações

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

O advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, defensor do padre Júlio Lancellotti, disse que o depoimento do ex-interno da Febem Anderson Marques Batista à polícia ''''está repleto de contradições''''. Greenhalgh contou que, na manhã de ontem, teve uma conversa franca com o padre e está convicto de que ele é vítima de uma quadrilha. ''''Disse ao padre que o defenderia em qualquer situação e pedi que ele me falasse a verdade'''', relata o advogado. ''''Olhando nos meus olhos, ele afirmou que não era pedófilo e jamais manteve relações homossexuais.'''' Na visão de Greenhalgh, a tese do acusado é inverossímil. ''''Se o padre Júlio, um homem público, mantivesse um relacionamento amoroso com essa pessoa, qual o sentido de denunciá-lo à polícia?'''', questiona. ''''O mais lógico era que ele tentasse esconder.'''' O advogado também pediu que o padre seja tratado com respeito e tenha direito à presunção da inocência. ''''O padre Júlio todo mundo conhece por seu trabalho social e por sua atitude diante de temas delicados. E esse rapaz, quem conhece? Ele não tem nada a perder com essa história.'''' Greenhalgh disse ainda que Batista responde a dez inquéritos policiais, cinco deles por extorsão ou ameaça. O advogado de Batista, Nelson Bernardo da Costa, rebate a informação. Diz que seu cliente ficou internado na extinta Febem (atual Fundação Casa) por envolvimento em um roubo. Em 2001, foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio doloso - matou um homem a tiros em uma briga de bar. Batista também respondeu a inquérito policial por homicídio culposo, por envolvimento na morte de um filho em um acidente. O advogado afirma que o processo foi arquivado e seu cliente, absolvido. ''''Esse rapaz é extremamente violento'''', afirmou Greenhalgh. ''''Suspeito, inclusive, que essa quadrilha tinha mais do que quatro pessoas.'''' Para o advogado, as acusações feitas por Batista fazem parte da estratégia da defesa para tentar livrá-lo da acusação de extorsão. Procurado á tarde em seu casa, na Mooca, o padre não quis atender à imprensa. COLABOROU CHARLISE MORAIS CRONOLOGIA Agosto - A polícia começa a investigar um suposto esquema de extorsão de R$ 50 mil, praticado durante três anos, a partir de denúncia do padre Júlio Lancellotti. O religioso afirma que os criminosos pretendiam acusá-lo de abuso de menores e diz que os criminosos usaram seu nome para financiar a compra de uma Pajero 6 de setembro - Após receber R$ 3 mil do padre, o faxineiro Everson Guimarães é preso em flagrante na zona leste 9 de outubro - Decretada a prisão preventiva de outros supostos envolvidos na extorsão: Anderson Batista, sua mulher, Conceição Eletério e Evandro Guimarães, irmão de Everson 23 de outubro - O padre presta novo depoimento. Diz que na verdade foi extorquido em R$ 80 mil e admite que foi com Anderson e Conceição a uma concessionária para comprar a Pajero 24 de outubro - Após ouvir testemunha, polícia abre inquérito sobre suposto abuso de um menor cometido pelo padre

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