Acusação no caso Tainá será de crime hediondo

Homicídio e tentativa de homicídio qualificados, crimes que são hediondos, será a acusação principal que o Ministério Público Estadual vai apresentar contra Rodrigo Henrique Farrampa Guilherme, de 22 anos. A promotoria também pedirá que, por isso, aguarde o julgamento preso por meio da decretação de sua prisão preventiva. Guilherme foi apontado por vítimas, testemunhas e um comparsa de ser o autor dos tiros que mataram a menina Tainá Alves de Mendonça, de 5 anos, e feriram o advogado Marco Vessiliades Pereira, de 34. A promotora Mildred Gonzalez Campi, que trabalha no 5.º Tribunal do Júri, deve apresentar a denúncia contra o acusado na segunda-feira. O mais provável é que o crime de Guilherme seja considerado qualificado por ele ter agido por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, o fato de Tainá ter menos de 14 anos pode agravar a pena. Mildred recebeu o inquérito do caso, enviado pelo 14.º Distrito Policial à Justiça, na tarde de ontem. O delito ocorreu na noite do dia 11, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Guilherme estava em seu Monza com os adolescentes P.R.S.S., de 17 anos, o Pedrinho, e Wagner, o Chicá, de 16. Os três, segundo depoimento de Pedrinho, iam fazer um assalto em Pinheiros quando rasparam no pára-choque traseiro do Astra do advogado Pereira, que estava estacionado em uma praça. Com o advogado, estava o tio da menina, Fábio Valente de Mendonça Júnior, que estava com seu Kadett e, dentro do carro, Tainá e um outro sobrinho, Lucas, de 2 anos. Após a pequena batida, o advogado e o tio da menina saíram em perseguição ao Monza. "De acordo com o que foi apurado, eram só esses dois carros. Não havia um terceiro", disse o delegado Marcos Gomes de Moura. Segundo o delegado, a perseguição durou cerca de 20 minutos. Sem agressãoEm seu relatório final, o delegado afirma que Guilherme e os adolescentes não foram agredidos pelo advogado, como sustentou Pedrinho. Ele disse que Chicá levou uma gravata do advogado quando Guilherme pegou o revólver calibre 38 e disparou duas vezes em Pereira. "Como ele podia ter dado uma gravata se levou os tiros no peito? Além do mais, os disparos não foram à queima-roupa", disse a promotora Mildred. O advogado contou ao depor que Guilherme desceu do Monza atirando. No inquérito, o acusado negou-se a falar. Disse que só o faria na Justiça. A defesa alega que ele agiu para se defender da agressão do advogado e afirma que ele atirou em direção ao tio da menina porque temia que ele fosse apanhar uma arma no Kadett. Faltam ainda à promotoria alguns laudos feitos pela perícia. A acusação quer saber se Guilherme tinha condições de ver quem estava no interior do Kadett que levava Tainá e Lucas. A polícia apura ainda a informação prestada por Pedrinho de que ele, Guilherme e outros companheiros praticaram de seis a oito roubos em Pinheiros e Moema.

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