Acusada de dar cocaína na mamadeira à filha perdeu audição

Três meses após comprovar que não matou a própria filha com cocaína na mamadeira, Daniele Toledo do Prado, de 22 anos, ainda tenta se recuperar dos traumas sofridos desde a morte de Victória Maria do Prado Iori Carvalho, de 1 ano e 3 meses. Dores fortes de cabeça, desmaios e tristeza fazem parte do dia-a-dia da jovem que teve inúmeros direitos desrespeitados. Acusada da morte da criança, foi presa, espancada e perdeu parte da visão e da audição do lado direito. As agressões contra Daniele começaram antes. Quando ainda lutava pela vida da filha, entre uma internação e outra no Hospital Universitário de Taubaté, diz que foi abusada sexualmente por um estudante de Medicina. O caso do estupro voltou a ser investigado pela polícia. Por causa da exposição na imprensa como assassina da própria filha, Daniele não sai de casa. Teme que alguém a aponte com desconfiança. ?Está abalada psicologicamente e preocupada com o futuro, principalmente por não conseguir arrumar emprego e por causa dos problemas de saúde?, disse a advogada Gladiwa Ribeiro, que é membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Taubaté.A filha de Daniele morreu em 29 de outubro, quando estava internada no Pronto-Socorro de Taubaté. Uma médica levantou a hipótese de cocaína na mamadeira. Um exame preliminar usado comumente pela Polícia Civil apontou a presença do entorpecente, e Daniele acabou presa em flagrante. Ela foi colocada em uma cela com 18 presas na cadeia feminina de Pindamonhangaba que, informadas do suposto crime, partiram para a agressão. No espancamento, Daniele teve uma caneta enfiada no tímpano. Só no dia seguinte às agressões foi hospitalizada e, depois, transferida para o presídio de Tremembé, onde ficou 36 dias, até que outros exames feitos na mamadeira e nas vísceras da criança mostraram que não havia cocaína. A seqüência de erros vai resultar em uma ação indenizatória contra o Estado.

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