Acusada de queimar filha, mãe é expulsa de favela

Suspeita de espancar e queimar a filha de 7 anos, a dona de casa Iraneide Alves da Silva, de 28 anos, foi "expulsa" ontem da favela da Avenida Maria Luiza Americano, na Cidade Líder, zona leste de São Paulo. Ela também pode perder a guarda da criança.Acompanhada do pai, o pintor Lourival Ramos dos Santos, de 28 anos, e da líder comunitária Antonia Carmem de Souza, de 57, a menina V.A.S. passou na manhã de ontem pelo Pronto-Socorro do Hospital Planalto, em Itaquera. Os sinais mais flagrantes da agressão são queimaduras no pé esquerdo e hematomas nos olhos, costas, pernas e braços.Antonia disse que fez a denúncia à polícia porque não conseguiu falar no Conselho Tutelar. "No sábado, vizinhos me chamaram dizendo que ouviram gemidos da menina. A mãe ameaçava bater mais se ela gritasse", contou. "Ela não vai voltar para lá (favela). Se aparecer, não me responsabilizo." O presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares de São Paulo, Marcelo Nascimento, disse que o caso compete ao recém-criado conselho de José Bonifácio, que não tem telefones de plantão. Aos policiais do 53º Distrito Policial (Parque do Carmo), onde foi indiciada por maus-tratos, Iraneide teria admitido ontem que aplicava "corretivos", mas negado os excessos. Ela foi liberada no fim da tarde.Separado de Iraneide há quatro meses, Santos diz que já desconfiava das agressões, mas que a filha nunca havia admitido. A menina é a mais velha dos quatro filhos do casal. A acusada de agressão está grávida do quinto filho com Lourival. "Saí de casa por causa do ciúmes dela (Iraneide), mas nunca deixei faltar nada."

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