Acusado da morte de Toninho pode ser solto amanhã

Anderson Rogério Davi, de 20 anos, conhecido como Boca, o primeiro acusado da morte do prefeito Antonio da Costa Santos, poderá ser solto amanhã, quando vence o prazo prorrogado de 60 dias de sua prisão temporária, concedida pela Justiça. A advogada do suspeito, Romilda Maria da Costa Dias, protocolou hoje um requerimento junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campinas, solicitando o alvará de soltura. Romilda apoiou-se na decisão do Ministério Público de não oferecer denúncia à Justiça a partir das conclusões preliminares do inquérito, apontadas pela polícia, que pediam prisão preventiva para três dos quatro suspeitos. Além de Davi, a polícia acusa Flávio Mendes Claro e Globerson Luiz da Silva de autores do assassinato do prefeito. O quarto acusado, A.S.C, é menor. "O delegado não conseguiu provar nada contra eles e é justo que sejam libertados", disse Romilda, lembrando que a temporária vence no final da noite de hoje, à meia-noite. O advogado criminalista que representa a família do prefeito e a prefeitura, Ralph Tórtima Stettinger, também considerou que a polícia ainda não dispõem de provas suficientes para manter os quatro suspeitos detidos. "Pode ser que novas provas sejam levantadas. Com o que se tem até agora, fica difícil decretar a prisão preventiva", observou. As temporárias de Claro e Silva vencem, respectivamente, nos próximos dias 10 e 17. Davi foi o primeiro suspeito detido pela polícia. Ele confessou o crime em depoimento assistido por promotores do Ministério Público. Na confissão, apontou outros três co-autores do assassinato. No dia em que se completou um mês da morte de Toninho, como era chamado o prefeito, a polícia prendeu outros dois suspeitos, o menor e Claro. Ambos também confessaram o crime e Claro assumiu a autoria dos disparos. Os dois voltaram a apontar Silva como o quarto co-autor. Nos depoimentos, os três rapazes disseram que se aproximaram do prefeito em duas motocicletas para tentar roubar o Palio que ele dirigia. Disseram não saber que era o prefeito. Claro alegou ter disparado a arma depois de se assustar com a reação de Toninho, que acelerou o carro. Uma semana depois das duas prisões, Silva se apresentou à polícia, mas negou o crime. A polícia tentou amealhar provas contra os suspeitos e chegou a apreender duas motos suspeitas de terem sido usadas na abordagem ao prefeito. A acusação perdeu força quando os quatro rapazes passaram a negar o crime, alegando que teriam confessado sob pressão. A negativa, inclusive durante acareações, esvaziou a intenção da polícia de promover uma reconstituição do crime com os suspeitos.Os policiais também não conseguiram localizar a pistola nove milímetros utilizada no assassinato, o que dificultou as investigações. O surgimento de uma testemunha que afirmou aos promotores não ter havido motos no local do crime no momento em que ele ocorreu e de outra que garantiu à polícia ter visto as motos e depois voltou atrás na OAB, provocaram ainda mais confusão. Na sexta-feira, o delegado seccional Osmar Porcelli decidiu enviar um relatório preliminar pedindo a prisão preventiva dos acusados. Depois de uma longa reunião com delegados ontem, os promotores decidiram devolver o inquérito à polícia para que novas investigações sejam feitas e anunciaram que não pedirão as preventivas. Ainda ontem foram ouvidas no MP três testemunhas, mas nem a polícia nem os promotores revelaram detalhes. Os promotores insistem que é necessário investigar os ocupantes do Vectra prata, que passou ao lado do carro do prefeito quando ocorreu o crime e foi abandonado em seguida na Rodovia Dom Pedro I, perto do local do assassinato. Stettinger concordou com os promotores. A polícia alegou que as investigações sobre o Vectra nunca foram abandonadas, mas não avançaram por falta de elementos. Ontem uma equipe de quatro policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo foi destacada para auxiliar a polícia de Campinas nas investigações. Os promotores que participam das investigações sobre o prefeito foram procurados, mas não atenderam à reportagem.

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