Fantástico/Rede Globo
Fantástico/Rede Globo

Acusado de abusos sexuais a jovens, falso guru espiritual é preso no Ceará

'Vamos impetrar Habeas Corpus e pedir relaxamento da prisão', diz defesa de Pedro Ícaro, conhecido como o guru Ikky, criador da Comunidade Afago

Lôrrane Mendonça, especial para o Estadão

29 de setembro de 2020 | 17h23

FORTALEZA - Pedro Ícaro de Medeiros, conhecido como Ikky, acusado de crimes sexuais contra jovens no Ceará, foi preso pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira, 29, em Fortaleza. A prisão do falso guru faz parte da Operação Erasta, do Ministério Público do Estado, que também cumpriu ordens de busca e apreensão pessoais e residenciais em três endereços na capital cearense.

O promotor de Justiça Humberto Hibiapina, que esteve à frente da Operação Erasta, esclarece que o motivo da prisão preventiva está relacionado a crimes anteriores cometidos na Comunidade Afago, onde atuava o suposto guru. “São dois crimes anteriores que se relacionam com os atuais pelos modos operandi do crime. São duas vítimas adolescentes que foram levadas por ele, antes mesmo da criação da Comunidade Afago”, explicou.

De acordo com o advogado de Pedro Ícaro, Klaus Borges, será impetrado habeas corpus ou pedido de relaxamento da prisão. "Inicialmente, iríamos impetrar Habeas Corpus ou relaxamento da prisão, mas o processo continua em segredo de justiça, até para a defesa, apesar de termos solicitado formalmente. Enquanto isso, Ícaro continua preso na Delegacia de Capturas (Decap)", afirmou ao Estadão. Por ser uma prisão preventiva, por lei, ela pode ser revista em 90 dias.

Após denúncias realizadas por meio da hashtag #ExposedFortal, movimento em que jovens relataram crimes sexuais em redes sociais em várias partes do País, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio do Núcleo de Investigação Criminal (NUINC) e do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NUAVV), com apoio da Polícia Civil do Estado do Ceará, iniciou as investigações. Duas vítimas foram ouvidas pelo MP.

De acordo com o órgão, Ikky oferecia a “salvação” durante as sessões na Comunidade. Os relatos indicam ainda que ele escolhia as vítimas geralmente — geralmente eram pessoas carentes, vulneráveis e com problemas pessoais. Ikky ficou conhecido nacionalmente após matéria exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, em julho deste ano. Ele é estudante de Filosofia e é apontado como o criador da Comunidade Afago, onde teria abusado sexual, física e psicologicamente de jovens de aproximadamente 20 anos, entre 2018 e 2019, em Fortaleza.

Pelo menos 50 vítimas alegam ter sido obrigadas a manter relações sexuais com Ícaro, segundo a polícia. Outras afirmam que foram batizadas no chuveiro da casa do rapaz e, caso desobedecessem, eram queimadas com uma pedra quente atrás da nuca. 

Em outros depoimentos, as vítimas relatam que sentiam a necessidade de aprovação de Ícaro para todas as decisões de suas vidas. Caso ele fosse contrariado, incentivava os outros membros a excluírem e oprimirem aquela pessoa. 

O nome da operação faz referência aos conceitos da pederastia da antiga Grécia, em que Erasta era o homem com mais de trinta anos que se relacionava com jovens, visando a refinar-lhes a educação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.