Acusado de chefiar tráfico no Morro da Providência é preso

Um dos traficantes mais procurados pela polícia fluminense, Evanilson Marques da Silva, o Dão, foi preso no fim da manhã desta segunda, 21, no Morro da Providência. Mesmo armado com uma submetralhadora e três granadas, o criminoso não reagiu. A prisão de Dão era questão de honra para as autoridades de Segurança Pública. Foi o bando dele que enfrentou o Exército em março, durante ocupação nos morros cariocas para a retomada de fuzis roubados de um quartel. "Ele é um audacioso, como todo criminoso que quer se fazer líder. Agora acabou", disse o delegado Alcides Iantorno, da Divisão de Capturas da Polícia Interestadual (Polinter), responsável pela prisão.No domingo, uma reportagem no Fantástico lembrava casos de criminosos libertados pela Justiça - Dão passou cinco dias preso em 2004, e foi posto em liberdade depois que a prisão temporária não foi renovada. "Menos de 12 horas depois da reportagem ir ao ar, o Disque-Denúncia recebeu uma ligação com a localização exata do criminoso", disse o superintendente da Associação Rio Contra o Crime, Zeca Borges, que administra o serviço. Quinze agentes da Polinter seguiram por volta das 11 horas até a Ladeira do Livramento, um dos acessos ao Morro da Providência. Dão estava com o dono da casa, Audney Marques da Costa, o Audi, de 23 anos, e Alex de Almeida Silva, o Leque, de 24. Nenhum deles reagiu. A prisão de Dão valia uma recompensa de R$ 2 mil, que será paga a quem passou a informação ao Disque-Denúncia.Entre outros crimes, Dão é acusado do seqüestro de Priscilla Belfort, irmã do lutador Victor Belfort. A jovem teria sido morta no morro e enterrada num túnel. Quando a Divisão Anti-Seqüestro passou a investigar Pablo Mendes do Amparo pelo desaparecimento de Priscila, Dão mandou matar o comparsa, seu braço direito, e jogar o corpo no Canal do Mangue. "Isso foi uma afronta a todos nós", afirmou o chefe da Polícia Civil, Ricardo Hallak.As ações chefiadas por Dão sempre foram marcadas pelo tom provocativo. No mesmo mês em que seus homens desafiaram as tropas do Exército em confrontos que se estenderam ao longo de uma semana, Dão programou uma festa de aniversário. As comemorações pelos seus 37 anos durariam 4 dias, inclusive com apresentação de bandas de pagodes. A polícia descobriu o plano e prendeu 40 convidados. Ele é suspeito de desvio de armas da Marinha e também é acusado de invadir a sede da Viação São Silvestre com blazers caracterizadas com as cores e o logotipo da Polícia Militar. Ex-fuzileiro naval, Dão foi preso em março de 1999 e fugiu pela porta da frente da Polinter em outubro de 2000. Em 2004, logo depois de sua libertação pela Justiça, foi condenado a 19 anos de prisão por tráfico.Hallak acredita que o tráfico no Morro da Providência, uma dos redutos mais fortes do Comando Vermelho, ficará desestabilizado. "Ele tinha os contatos do fornecimento da arma, das drogas. E não divide essas informações por medo de um golpe de estado. Vai levar um tempo até ele repassar essas informações". Hallak não acredita em retaliação por causa da prisão. Desde a semana passada foi instalado uma base da Polícia Militar no morro.Ampliada às 19h12

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