NILTON FUKUDA/ESTADão
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Acusado de furto, venezuelano é agredido em Roraima

Revolta popular começou após furto de desodorantes que teria sido praticado pelo estrangeiro, que foi espancado brutalmente

Cyneida Correia, Especial para o Estado

24 Novembro 2018 | 00h39

BOA VISTA - A cidade de Pacaraima, que fica na fronteira de Roraima com a Venezuela, voltou a viver momentos de tensão na tarde desta quinta-feira 22. Armados com paus e pedras, moradores da cidade agrediram e quase lincharam um venezuelano, suspeito de furtar desodorantes de um mercado na principal rua comercial da cidade.

O caso só não virou tragédia por conta da intervenção policial, que conseguiu evitar que o imigrante fosse assassinado pelos populares. A revolta começou após o suspeito entrar em um dos supermercados da cidade e ser reconhecido pelo dono como autor dos furtos que vinham ocorrendo no local e foram filmados pela câmera de segurança. 

No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o venezuelano Jhon Lopes Palma, 40 anos, consta como infrator. “Prestamos socorro à vítima e tivemos que dispersar a multidão com bombas de gás por conta do número reduzido de policiais na viatura. Depois levamos o rapaz para o hospital e em seguida para a delegacia", disse  o major Josué, comandante da 1ª Companhia de Fronteira da Polícia Militar, localizada em Pacaraima

"Nós policiais tratamos venezuelanos igual brasileiro pois sabemos da situação deles. Quando é roubo de comida é até aceitável, porém quando se trata de roubo de perfume, é pilantragem. Tá difícil em Pacaraima, mas é nosso trabalho e temos que combater a situação. Pra você ver nas imagens a polícia chega e toma da população o meliante pra parar as agressões e conduz para o hospital e depois a delegacia”, explicou o oficial.

Segundo a delegada titular da Polícia Civil de Pacaraima, Simone do Carmo, o comerciante teria reconhecido o venezuelano no momento em que ele era agredido na rua. Em depoimento, o venezuelano não soube dizer o motivo de ter sido agredido e disse que foram várias pessoas desconhecidas. Quanto aos desodorantes que estavam com ele, afirmou que comprou para vender na rua.

"Não fiz nenhum procedimento por entender que por conta do lapso temporal não preenchia os requisitos legais. Interroguei e venezuelano que foi liberado logo em seguida pois segundo o médico, as lesões foram leves e ele não reconheceu quem o agrediu.”

A delegada informou que caso de agressões a estrangeiros não são comuns na fronteira, mas que tem ocorrido muitos desentendimentos entre eles e o número de furtos em residências cresceu após o aumento da migração. “Isto está sendo quase que uma constância. Desentendimento entre os venezuelanos que estão em situação de rua, além de alto índice de registros de furtos praticados durante o período noturno nas residências.”

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