Acusado de homicídio de 42 meninos vai a júri no Maranhão

O mecânico Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, de 41 anos, vai a júri nesta segunda-feira, 23, em São José de Ribamar, no Maranhão. Chagas será julgado pelo homicídio de Jonnathan Silva Vieira, de 15 anos, em 6 de dezembro de 2003. A acusação é de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (morte relacionada a interesse sexual) e meio cruel (pedradas). Foi o último dos 42 assassinatos do homicida, 12 deles ocorridos no Pará, apontado por autoridades e especialistas como o maior serial killer brasileiro. Os processos referentes aos outros crimes ainda tramitam na Justiça.O juiz Marcio Brandão, da 1ª Vara de São José de Ribamar, acredita que o julgamento dure, no mínimo, dois dias. Como o fórum da cidade é pequeno, o júri será realizado no auditório do Sesi. Cerca de cem familiares de vítimas estão mobilizados para assistir. O crime ocorreu quando Jonnathan foi levar a bicicleta na oficina onde Francisco trabalhava. Por volta das 7h30 do dia 6 de dezembro, a convite do mecânico, foram à mata apanhar açaí. Brito, então, matou a pedradas o garoto.A posição de Chagas frente às acusações mudou algumas vezes desde que foi preso, pouco após a morte de Jonnathan. Primeiro, negou tudo. Depois, confessou ter matado 30 meninos no Maranhão e 12 no Pará. Chegou a apontar para a polícia o local onde deixou as vítimas, com margem de erro de 50 metros em relação aos dados dos laudos necroscópicos.Recentemente, ele disse ao advogado, Erivelton Lago, que ´tem muita criação em cima disso´. Como exemplo das ´invencionices´, Lago afirma que há gente condenada por homicídios atribuídos a seu cliente.O advogado não definiu a estratégia de defesa. ´Vou depender do depoimento dele. Na quarta-feira, ele repetiu para Lago a versão de que Jonnathan subiu numa árvore para pegar açaí, caiu e morreu. "Se a versão for essa, para o Ministério Público, será uma confissão. Para a defesa, início de confissão. Não terei como dizer que ele estava fora da cena do crime". Lago não descarta a tese da inimputabilidade, ou seja, de que Chagas não tem consciência de seus atos.A psicóloga forense Maria Adelaide de Freitas Caíres, que fez um dos laudos sobre a personalidade de Chagas anexado ao processo, é taxativa: ele tem um transtorno anti-social de personalidade, novo nome da psicopatia. Segundo ela, a doença não tem cura porque o "estrago é muito profundo". Maria Adelaide tem certeza de que, se voltar às ruas, Chagas matará novamente. Para a psicóloga e para o promotor, o acusado é semi-imputável. "Ele sabe que o que fez foi errado, porque fez escondido, mas tem uma perturbação que o impede de evitar", disse Maia.

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