Alex de Jesus/O Tempo
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Acusado de matar Eliza, Bola vai a júri

Ex-policial apontado pela Promotoria como assassino da modelo será julgado pouco mais de um mês após goleiro Bruno ser condenado

Aline Reskalla ESPECIAL PARA O ESTADO BELO HORIZONTE,

20 Abril 2013 | 19h09

Temido pelos principais protagonistas da trama que resultou na morte da modelo Eliza Samudio, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, sentará no banco dos réus na mesma sala onde foram condenados o ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza e seu braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, a partir de amanhã. 

 

Bola é apontado pelo Ministério Público de Minas Gerais como assassino da modelo, que foi vítima de asfixia. Bruno foi condenado em 8 de março a 22 anos e 3 meses de prisão por ter encomendado o crime.

 

No depoimento, Bruno disse que Macarrão havia lhe contado que contratou o ex-policial para matar a modelo, e disse não ter falado antes por medo de retaliações. Já Macarrão, condenado a 15 anos em novembro, jogou a culpa em Bruno, que segundo ele teria pedido para entregar Eliza a um homem, cujo nome o amigo do goleiro disse não saber, o que foi interpretado como tentativa de preservar Bola. 

 

A defesa insiste na tese de que o ex-policial não tem qualquer envolvimento na morte da amante de Bruno. Uma das estratégias será desqualificar o delegado Edson Moreira, chefe das investigações que culminaram no indiciamento de Bruno e seus comparsas, arrolado como testemunha. O advogado Fernando Magalhães, um dos defensores do ex-policial, disse que os jurados vão perceber que há uma rusga pessoal entre Moreira e seu cliente. 

 

“Só para o Edson Moreira temos perguntas suficientes para 24 horas de interrogatório”, afirmou o defensor. Magalhães prevê que o julgamento dure de sete a dez dias. Ele questiona o fato de seu cliente ser julgado enquanto há um inquérito aberto para apurar o envolvimento de outro suspeito no caso, o policial civil José Laureano, o Zezé.

 

Para o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcellos, a situação é diferente. O promotor argumenta que o inquérito sobre Zezé só foi aberto “porque se tem certeza da culpa de Marcos Aparecido dos Santos”. “O pressuposto para as demais investigações é a certeza da culpa do Bola. E uma investigação complementar.” 

 

Vasconcellos informou que vai pedir a condenação do réu por homicídio duplamente qualificado e destruição de cadáver. Segundo o Tribunal de Justiça de MG, os trabalhos devem durar em torno de três dias.

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