Acusado de matar inglesa vai a Júri Popular em Goiânia

Mohammed pode pegar até 36 anos de prisão pelo assassinato de Cara; inquérito policial foi finalizado

Rubens Santos, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2008 | 16h11

Mohammed D'ali Carvalho dos Santos, de 20 anos, acusado de matar, esquartejar e ocultar o corpo da inglesa Cara Marie Burke, de 17 anos, irá a Júri Popular e poderá ser condenado a 36 anos de prisão, inicialmente em regime fechado. No Inquérito Policial (298/2008), encerrado nesta sexta-feira, 8, pelo delegado Carlos Raimundo Lucas Batista, da Delegacia de Homicídios de Goiânia, ele foi indiciado por crime hediondo.   Veja também: Acusado pela morte de jovem inglesa é transferido Polícia pedirá prisão preventiva do acusado de matar inglesa Após matar inglesa, acusado enviou fotos e torpedos por celular   No inquérito, a polícia também confirmou o indiciamento de Cristiano Cardoso da Silva, de 27 anos, que emprestou o carro para Mohammed se livrar do corpo da inglesa. Cristiano será julgado pelo crime de ocultação de cadáver, punível com penas que variam de um a três anos de prisão. O inquérito será entregue na próxima semana ao juiz Jesseir Coelho de Alcântara, do Tribunal do Júri de Goiânia.   O delegado Carlos Raimundo Lucas Batista admitiu que, pouco a pouco, a medida em que as investigações foram dissecadas pela polícia, a frieza e a crueldade de Mohammed se revelaram profundas. "Ele tirou fotos, mandou torpedos, mostrou para seus amigos e relatou a eles, em detalhes, tudo o que fizera", afirmou o policial. "Tudo isso enquanto o corpo estava jogado num boxe frio do banheiro da casa, e enquanto bebia cerveja e participava de festas", detalhou. "Ele despreza a vida".   O Inquérito com 127 páginas descreve a maneira como a jovem inglesa foi morta e esquartejada, o local, horário e instrumentos empregados para decapitar e cortar o corpo em cinco partes, que foram espalhadas numa área de 30 quilômetros - desde a beira de uma estrada (BR-060) em Goiânia, até o Ribeirão Sozinha, em Bonfinópolis, interior do Estado.   Mohammed se identifica como estudante, mas não há registro em escolas de Goiânia, como também não há registros de empregos fixos ou temporários, embora ele saiba falar em dois idiomas - inglês e espanhol - e já tenha morado nos Estados Unidos e Inglaterra.   Segundo o próprio Mohammed, ele é sustentado pela mãe, que manda de Londres, onde trabalha, R$ 2 mil por mês. Com o dinheiro, Mohammed pagava o aluguel e alimentos, além de, provavelmente, também gastar com a compra de drogas, como cocaína e crack. Conforme a investigação da polícia, que teve ajuda de telefonemas anônimos e depoimentos de pessoas ligadas a Cara e Mohammed para desvendar o caso, a quase totalidade dos amigos dele é usuária de drogas.   Perplexo, o delegado Jorge Moreira, titular da Delegacia de Homicídios, admitiu que, nos últimos 11 dias, tempo que durou a investigação, não acreditou na inocência ou arrependimento de Mohammed. "Ele não se arrependeu", disse Moreira. "Ele dissimula estar arrependido mas se aproveitou do elemento surpresa para matar a garota inglesa de forma cruel, sem chances de defesa, e depois esquartejou o corpo de forma macabra", afirmou.

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