Acusado de matar jovem à queima roupa no Rio se considera 'xerife' da região

De acordo com a Polícia, Douglas Idael Pereira Ramos combatia o consumo e tráfico de drogas

Felipe Werneck, Luciana Nunes Leal e Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2014 | 18h17

RIO - Acusado pela Polícia Civil do Rio de ter executado à queima roupa com um tiro na cabeça um jovem de 20 anos em uma esquina de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Douglas Idael Pereira Ramos, de 32 anos, é conhecido como "xerife" na região, segundo testemunhas ouvidas pelo delegado Luiz Henrique Guimarães, responsável pela investigação.

Nesta sexta-feira, a Justiça do Rio decretou a prisão temporária de Ramos, que está foragido. O vídeo que mostra a execução de Igor de Oliveira Falcão, em 23 de janeiro, foi revelado pelo jornal carioca Extra. Na delegacia, a mãe do acusado reconheceu o filho como autor dos disparos, segundo o chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso.

"Testemunhas relatam que os dois (Igor e Victor Fernandez, também assassinado, a cerca de 100 metros) estavam praticando roubos na região. Segundo informações do Serviço de Inteligência, Ramos, que é morador da área, combatia o consumo e o tráfico de drogas e se intitulava o xerife na região. Moradores contaram que ele tem ódio de marginal, não tolera", disse Guimarães, titular da 54.ª DP, em Belford Roxo. Segundo o delegado, a investigação não confirmou até o momento a suspeita de que o acusado teria sido contratado como segurança de uma farmácia que fica em frente ao local da execução. Nesta sexta, havia cinco funcionários na farmácia - apenas um aceitou falar: "Não vi nada".

Porte de arma. Em 17 de dezembro do ano passado, pouco mais de um mês antes da execução filmada com um celular, Ramos foi condenado pela 1.ª Vara Criminal de Belford Roxo a dois anos de prisão em regime aberto pelo crime de porte ilegal de arma. A prisão foi substituída por duas penas restritivas: prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa no valor de um salário mínimo a alguma entidade com destinação social.

O delegado disse que pretende ouvir nos próximos dias três suspeitos de participação na execução de Falcão - o piloto da moto, que levou Ramos na garupa, e os dois que seguraram a vítima. Guimarães também aguarda o resultado de uma perícia para verificar se a arma que matou Falcão foi a mesma usada para assassinar Fernandez.

Perguntado a respeito de investigações sobre grupos de extermínio na região, Guimarães disse que está há menos de um mês no cargo e não tinha números específicos. "Grupos de extermínio atuam em toda a Baixada Fluminense. Além disso, temos milícias e as três facções criminosas do Rio aqui. Estamos com a investigação em andamento e vamos dar uma resposta à sociedade. Fazer justiça por conta própria é crime."

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que a segurança privada de lojas e empresas, comum na Baixada Fluminense, é uma "atividade legítima, mas não pode resultar em cheque em branco para matar".

Recompensa. O Disque-Denúncia lançou nesta sexta-feira, 7, um cartaz com recompensa no valor de R$ 2 mil por informações que levem a localização e prisão de Douglas Idael Pereira Ramos, identificado pela 54ª DP (Belford Roxo) como o atirador que matou o jovem Igor de Oliveira Falcão.

Divulgação/Disque-denúncia

A denúncia pode ser feita por meio do telefone do Disque-Denúncia: (021) 2253-1177. Também podem ser enviadas envie fotos, vídeos e informações para o Whatsapp (021) 96802-1650 do Portal Procurados.org.

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