Acusado de matar promotor é condenado em Minas

O office-boy Geraldo Roberto Parreiras, de 26 anos,foi condenado na madrugada de hoje a 18 anos de prisão, em regime fechado, pela participação no assassinato do promotor Francisco José Lins do Rêgo Santos, em janeiro do ano passado. A sentença do 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette foi proferida por volta das 2h, após aproximadamente 13 horas de julgamento. Por unanimidade, os sete jurados consideraram Parreiras culpado por homicídio quadruplamente qualificado. Os advogados de defesa informaram que vão recorrer dasentença. O réu aguardará o recurso preso no Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), na capital mineira. O office boy era acusado de colher informações sobre a rotina do promotor, a mando do empresário Luciano Farah do Nascimento, apontado como mandante e co-autor do crime. Parreiras era funcionário de Farah, proprietário da rede de postos West, que vinha sendo investigada por Lins do Rêgo por comercializar gasolina adulterada.Durante o julgamento, o office boy negou que estivesse monitorando os passos do promotor para a futura execução. A viúva e parentes do promotor acompanharam o julgamento, que contou com um grande aparato desegurança.Lins do Rêgo foi morto com 13 tiros no início da tarde do dia 25 de janeiro de 2002. O promotor estava em seu carro, parado num semáforo, no bairro Santo Antônio, zona sul de Belo Horizonte, quando uma moto com dois homens estacionou ao lado do veículo e o carona fez os disparos. As investigações apontaram o ex-soldado do Batalhão daPolícia Militar de Contagem (MG), Edson Nogueira, como o autor dos tiros. Ele trabalhava como segurança para os postos de Farah, que é acusado de pilotar a moto. Durante os depoimentos, o ex-soldado confessou ter atirado no promotor.O empresário teria arquitetado o assassinato de Lins do Rêgo, que se notabilizou por investigar a chamada ?Máfia dos Combustíveis?. No dia 03 de junho de 2001, o promotor comandou o fechamento de um dos postos da rede West, acusado de adulterar combustível. O empresário reagiu comtruculência e chegou a ameaçar Lins do Rêgo diante dos jornalistas que cobriam a ação do Ministério Público Estadual (MPE). Os julgamentos de Farah e do soldado Edson, foram adiados. O julgamento do ex-policial militar foi marcado para o dia 07 de julho. O juiz presidente do 2ºTribunal do Júri, José Amâncio de Souza Filho, aceitou o pedido do advogado de defesa, Edgar de Souza, que alegou problemas de saúde.Já a audiência que vai julgar o principal acusado ainda não tem data para ocorrer. Os advogados de Farah entraram com um pedido de habeas-corpus no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O julgamento só deverá ser marcado depois que o STJ avaliar o recurso da defesa.

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