Acusado de mortes e neonazismo é preso

Suspeito e vítimas participaram de festa no Paraná para celebrar os 120 anos do nascimento de Adolf Hitler

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

02 de maio de 2009 | 00h00

O economista Ricardo Barollo, de 33 anos, foi preso ontem em seu apartamento, em Moema, na zona sul, acusado de assassinar um casal de universitários na madrugada de 21 de abril, em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba. Segundo a polícia, Barollo teve a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça do Paraná.Na noite do crime, o suspeito e as vítimas participaram de uma festa em comemoração aos 120 anos do nascimento do nazista Adolf Hitler. No encontro havia um bolo e vela de aniversário. Barollo foi detido às 6 horas de ontem em um prédio de classe média na Rua Jacutinga. Policiais do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) de São Paulo e a polícia paranaense afirmaram que o economista estava sozinho no imóvel e não resistiu à prisão."Ele falou pouco e não confessou qualquer crime", comentou um investigador. O delegado do Deic Laércio Belo de Oliveira disse que pode ter ocorrido um desentendimento entre o suspeito e as vítimas. Outra hipótese é que Barollo não tenha sido aceito na festa e por essa razão resolveu se vingar.De acordo com Oliveira, Barollo foi pego durante investigações feitas com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. O estudante de Direito Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, e a aluna de Arquitetura e Urbanismo Renata Waechter Ferreira, de 21 anos, foram executados com tiros na cabeça e nos braços. Os dois foram localizados pela Polícia Rodoviária Federal, que foi chamada por um morador da região. Os corpos estavam em um carro com motor ligado e estacionado no acostamento da BR-116, sentido São Paulo. Segundo a polícia, as vítimas teriam saído de carro durante a festa para ir ao mercado comprar mais cerveja para os cerca de 30 convidados. O casal estava noivo e chegou a dar carona para uma amiga voltar para a casa. Mas, após deixar a menina na residência, eles foram assassinados. Para a polícia, os participantes do encontro sigiloso realizado em uma chácara seguem a ideologia nazista. Durante a festa as pessoas comeram carne e os convidados ainda puderam beber cerveja à vontade. Também foram distribuídos folhetos sobre a vida de Hitler.CELULARESOs 30 celulares dos participantes da celebração estavam no carro do casal assassinado e passam por perícia. Os aparelhos estavam escondidos para evitar qualquer filmagem da festa - o que poderia caracterizar crime de apologia ao nazismo. A polícia também procura a filmadora de um dos participantes que desapareceu e que deveria estar com as vítimas. Com um mandado de busca e apreensão, a polícia recolheu vários objetos no apartamento de Barollo em São Paulo. Foram apreendidos um computador, livros sobre Hitler, lista de presença em reuniões cujo tema também era o nazismo, talões de cheque, celulares, cartões de débito e crédito e R$ 25 em dinheiro. Já a arma do crime não foi localizada no apartamento. Um policial que pediu para não ser identificado contou à reportagem que por meio de escutas telefônicas autorizadas foi descoberto que Barollo teria passado uma arma para um amigo. A entrega da arma foi realizada em um bar na noite de quinta-feira, na Rua da Paz, na zona sul de São Paulo. Ontem à tarde, Barollo passou por exames no IML e seguiu para Curitiba. Os parentes do suspeito não foram localizados até a noite de ontem para comentar o caso. A família das vítimas também não foi encontrada. A Secretaria de Segurança do Paraná deve dar hoje mais informações sobre o caso.

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