Acusado paga fiança com cheque sem fundo e pode voltar à prisão

Dono da Conectur, pastor pede na TV ajuda a fiéis para cobrir os R$ 109 mil, mas até ontem só [br]conseguira R$ 16,2 mil

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2011 | 00h00

MACAPÁ

A Justiça Federal deu ao pastor Wladimir Furtado, dono da entidade Conectur - investigada por fraudes no Ministério do Turismo - prazo até sexta-feira para conseguir pagar a fiança de R$ 109 mil estipulada para ele deixar a prisão na madrugada do último sábado. Para sair, Furtado deixou um cheque, mas não conseguiu recursos para cobri-lo até a tarde de ontem. Ele chegou a fazer um apelo na televisão para que os fiéis de sua igreja o ajudassem a arrecadar o dinheiro, mas até ontem havia conseguido apenas R$ 16,2 mil.

No fim da tarde, Furtado se apresentou à Justiça Federal em Macapá. Seu advogado, Maurício Pereira, tentou pedir uma alternativa, como proibir que o cliente feche novos contratos com o governo. Não foi aceito. Um novo prazo foi dado até sexta-feira. Caso contrário, voltará para a Penitenciária de Macapá. "Realmente não tem como pagar essa fiança, porque ele não tomou posse de nenhum valor indevido. Se tivesse tomado, teria condições de garantir sua liberdade", disse o advogado.

A edição de ontem do Estado publicou entrevista exclusiva de Furtado, gravada na presença de seu advogado, em que ele revela ter recebido uma proposta da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP) para ser laranja num convênio de R$ 2,5 milhões com o governo federal. "A deputada queria pegar a Conectur para servir de laranja. Ela gostaria que a Conectur entrasse só com o nome", afirmou Furtado. "Ela queria fazer o serviço do jeito dela, que ela tomasse conta, deixasse contador, advogados e técnicos por conta dela."

Além dos R$ 2,5 milhões recebidos do ministério em 2009, a Conectur levou depois R$ 250 mil do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) a título de "subcontratação". De acordo com as investigações, a Conectur é o embrião do esquema de desvios de recursos do ministério no Amapá.

Furtado afirmou que preferiu não entregar a responsabilidade da execução do convênio de R$ 2,5 milhões para Fátima Pelaes: "Eu disse: "deputada, não vou assinar cheque em branco. Depois sou eu que vou prestar contas"". A Conectur é registrada numa igreja evangélica.

Apesar do suposto cuidado na relação com a deputada, a Conectur, como mostra a investigação da PF, integrou o esquema de desvio de dinheiro do Ministério do Turismo. A entidade foi usada para subcontratar as mesmas empresas de fachada envolvidas no esquema do Ibrasi, entidade pivô da Operação Voucher.

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