Acusados de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio são libertados

Ex-mulher, amante e caseiro tiveram prisões preventivas revogadas pela Justiça

Marcelo Portela,

18 de dezembro de 2010 | 10h41

Quatro acusados de envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, foram soltos da cadeia no início da madrugada deste sábado (18). A ex-mulher do goleiro Bruno Fernandes, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza; outra amante do jogador, Fernanda Gomes de Castro; o caseiro Elenilson Vítor da Silva;  e Wemerson Marques de Souza, o “Coxinha”, tiveram as prisões preventivas revogadas pela Justiça.

Os quatro foram absolvidos da acusação de assassinato de Eliza pela juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Júri do fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Eles foram presos em julho, também por ordem da Justiça, ainda durante as investigações em torno do desaparecimento da jovem.

Apesar de terem sido absolvidos da acusação de assassinato, o quarteto ainda será julgado por sequestro e cárcere privado do bebê de Eliza, que seria resultado da relação com Bruno. Para a polícia e o Ministério Público, a disputa pela paternidade da criança seria o motivo do assassinato de Eliza, cujo corpo nunca foi encontrado.

Fernanda é acusada também de envolvimento no sequestro e cárcere privado da jovem. Os quatro estão à disposição da Justiça e não podem deixar Minas Gerais.

A decisão de soltá-los ocorreu na mesma sentença em que Marixa determinou que Bruno, seu braço direito, Luiz Henrique Ferreira Romão, o “Marcarrão”; um primo do goleiro, Sérgio Rosa Sales; e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”, serão julgados por um júri popular por sequestro e assassinato de Eliza. Eles já tiveram vários pedidos de liberdade negados pela Justiça e devem continuar presos até o julgamento, que ainda não tem data marcada para ocorrer.

 

Crueldade

“A acusação contra eles é gravíssima. Conceder o direito de recorrer em liberdade incutiria no cidadão comum a sensação que o cometimento de crimes não gera a resposta estatal”, ressaltou Marixa em sua sentença. Para a juíza, o crime que teria sido cometido pelos acusados “ultrapassa os limites da crueldade, gera perplexidade e intranquiliza a sociedade”.

Marixa absolveu de todas as acusações o motorista Flávio Caetano de Araújo, que já havia sido libertado da prisão em 27 de novembro.

Depois que Marixa anunciou a decisão, os advogados de Dayanne, Fernanda, “Coxinha” e Elenilson adiantaram que pedirão o desmembramento do processo. Caso o pedido seja acatado pela Justiça, eles não precisarão responder pelas acusações no Tribunal do Júri com os demais réus.

Já os advogados de Bruno, “Macarrão”, “Bola” e Sérgio Sales afirmaram que vão recorrer da decisão de Marixa. A estratégia é tentar pelo menos adiar o julgamento o máximo possível para evitar o clamor popular em torno do caso. O Ministério Público também pode recorrer da sentença.

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