Acusados de furtar doações devem responder por crime militar

Cumprindo expediente interno, os dez soldados e um sargento envolvidos vão responder processo em liberdade

Júlio Castro, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 19h10

Os 10 soldados e um sargento flagrados, em vídeo, furtando produtos destinados aos atingidos pelo desastre da chuva em Santa Catarina deverão serão julgados por crime militar. A informação foi dada nesta terça-feira, 16, pelo General Manoel Luiz Narvaz Pafiadache, comandante da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada de Santa Catarina. Segundo o oficial, a sindicância foi descartada e o caso será conduzido, preliminarmente, através de um Inquérito Policial Militar (IPM). Este protocolo militar já está sendo conduzido pelo capitão Ferreira, do 23º Batalhão de Infantaria, sediado em Blumenau e onde os acusados estão lotados.   Veja também: Exército afasta envolvidos em furtos de doações em SC Após furtos, SC contrata empresa para controlar doações Saiba como ajudar as vítimas das chuvas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas        Após a conclusão do inquérito, eles poderão ser, conforme a denúncia da promotoria, indiciados por crime militar ou por transgressão. Se forem indiciados por crime, vão se submeter ao Código Penal Militar (CPM). Neste caso, a pena é a prisão por até seis anos, conforme o Artigo 240, do CPM (subtrair para si ou para outrem, coisa alheia móvel). Se a promotoria - do Ministério Público da União - entender que o ato configura-se uma transgressão, eles poderão se submeter ao que prevê o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), com penas mais brandas. "Eles devem se submeter a um júri, só que militar. Neste momento, estamos tomando todo tipo de cuidado sob pena de anulação do processo", enfatizou Pafiadache.   Na noite do episódio, no último dia 12, 13 homens do 23º BI estavam de serviço em um dos pavilhões da Vila Germânica, principal centro de triagem de donativos destinados aos flagelados de Santa Catarina. Conforme levantamento inicial, 11 recrutas e um sargento se apropriaram de produtos (tênis e roupas e até sutiã). Dois do destacamento estavam organizando o trânsito do lado de fora do pavilhão.   Atualmente eles se mantém cumprindo expediente interno no 23º BI e, segundo Pafiadache, vão responder o processo em liberdade. Se denunciados oficialmente através do processo, todos irão se submeter ao mesmo trâmite, inclusive, o sargento. "No caso do sargento, se for comprovado seu envolvimento, configura-se uma falta com maior gravidade por se tratar de um oficial", salientou o Tenente-coronel Maretson, chefe de comunicação social da 14ª Brigada de Infantaria Motorizada.   "Ainda estamos convivendo com a indignação natural dos companheiros. Arranhou um pouco a nosso imagem, porém foi um fato isolado e isso não pode afetar a relação de quem trabalha. Não podemos deixar que isso possa machucar o nosso ânimo, pois temos ainda muito o que fazer", enfatizou Pafiadache.

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