Acusados de matar crianças são condenados a 57 e 35 anos de prisão

Por maioria de votos dos jurados, o comerciante Amailton Madeira Gomes foi condenado a 57 anos de prisão e o ex-policial Carlos Alberto dos Santos Lima, a 35, por tortura, castração e morte de cinco meninos com idades entre 8 e 13 anos em Altamira, entre 1989 e 1993. Eles cumprirão a pena em regime fechado na penitenciária de Americano, em Santa Isabel, município da região metropolitana de Belém. Mesmo na condição de réus primários, Amailton e Carlos Alberto tiveram os mandados de prisão expedidos pelo juiz Ronaldo Valle durante a leitura da sentença. Os advogados dos réus anunciaram um recurso contra a condenação, alegando que ela foi contrária às provas do processo. "A decisão foi comemorada por familiares das vítimas, ativistas de direitos humanos e representantes de movimentos sociais de Altamira, que há três dias fazem vigília em frente ao Tribunal de Justiça, onde o julgamento foi realizado. "A justiça finalmente foi feita, agora a outra luta é fazer com que os réus cumpram a sentença na cadeia", disse Rosa Pessoa, mãe de Jaenes Pessoa, um dos mortos. "Lúcia Cunha Xipaia, irmã do índio Judirley Xipaia, outra vítima dos castradores de crianças, agradeceu a Deus pela condenação. Chorando, ela contou que já não estava conseguindo mais conviver com a sensação de impunidade que cercava o processo. "Meu irmão não merecia morrer. Ele saiu para pescar e desapareceu. Foi encontrado três dias depois. Depois de torturado e castrado, ele foi morto a golpes de faca e pauladas". "No próximo dia 2, terça-feira, outros três acusados pelos crimes- os médicos Césio Brandão e Anísio Ferreira de Souza e a líder da seita Lineamento Universal Superior (LUS), Valentina de Andrade- sentarão no banco dos réus.

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