Acusados de matar milionário da Mega-Sena pegam 18 anos

Defesa dos ex-seguranças vai recorrer; mandante do crime, viúva ainda não tem data de julgamento marcada

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo,

09 Julho 2009 | 04h27

Depois de quase 4 dias de julgamento, os ex-seguranças de René Senna foram condenados a 18 anos de prisão por participar da morte do milionário. Anderson Silva de Souza, de 33 anos, e Ednei Gonçalves Pereira, de 42 anos, foram condenados a 15 anos por homicídio e 3 anos por furto de dinheiro da vítima no dia do crime. O assassinato ocorreu em 7 de janeiro de 2007, um ano e meio depois de René ganhar o prêmio de quase R$ 52 milhões da Mega-Sena.

 

Anderson e Ednei foram considerados culpados pelo júri, em decisão que não foi unânime (a votação terminou em 4 votos a favor da condenação e três contra). O julgamento foi realizado no Tribunal do Júri de Rio Bonito, na Baixada Litorânea do estado do Rio e presidido pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa.

 

Os ex-seguranças vão cumprir a sentença em regime fechado. Como estão presos há 2 anos e seis meses, daqui a seis meses o ex-PM e o funcionário público terão direito à progressão da pena, podendo cumprir o restante da condenação em regime semiaberto, mas, mesmo assim, a defesa vai recorrer da sentença, direito garantido em razão da decisão do júri não ter sido unânime.

 

Os dois foram apontados como os executores do crime. Além deles, outras quatro pessoas são acusadas, entre elas a viúva de René Senna, Adriana Ferreira Almeida, denunciada como mandante do homicídio.O julgamento de Adriana ainda não tem data prevista.

 

Relembre a cronologia do caso

 

2005

Julho: René Senna, ex-lavrador e ex-açougueiro de Rio Bonito, ganha sozinho o prêmio de R$ 52 milhões da Mega Sena.

 

2006

Janeiro: René, então com 53 anos, se casa com a cabeleireira Adriana Almeida, de 28 anos.

 

2007

 

Janeiro: Adriana paga R$ 300 mil por uma cobertura no Arraial do Cabo (RJ). No documento de compra e venda, diz não ser casada nem ter relacionamento estável.

 

4 de janeiro: O casal briga, e Adriana deixa a fazenda de R$ 9 milhões onde morava com o marido.

 

7 de janeiro: René Senna é morto com quatro tiros de pistola à queima-roupa no Bar do Penco.

 

12 de janeiro: Adriana depõe na delegacia de Rio Bonito. Ela é acusada pela única filha de René, Renata, de ser a mandante do crime. A polícia pede quebra do sigilo bancário e telefônico da ex-cabeleireira

 

27 de janeiro: O motorista de van Robson de Oliveira, de 27 anos, diz em depoimento de seis horas que ele e a viúva se conhecem há três anos, já namoraram, reataram em setembro e passaram o réveillon juntos em Arraial do Cabo.

 

29 de janeiro: Adriana admite que mentiu e pede pra refazer declarações à polícia.

 

30 de janeiro: Adriana é presa sob acusação de envolvimento no crime.

 

1º de fevereiro: Dois policiais militares que trabalharam como seguranças de René Senna foram presos, sob suspeita de participação no crime.

 

2 de fevereiro: O ex-policial militar Anderson Silva de Souza, que atuou como segurança do milionário, se entrega para a polícia, é preso e considerado suspeito.

 

5 de fevereiro: Prisão da professora de educação física Janaína da Silva Oliveira, mulher do ex-policial militar Anderson Silva de Souza - apontado como possível executor do assassinato - e amiga da viúva de Senna, Adriana Almeida.

 

6 de fevereiro: O último suspeito, o motorista Edney Gonçalves Pereira, se entrega à polícia e nega participação no crime.

 

8 de fevereiro: Depoimento de Creuza Ferreira Almeida, mãe de Adriana, reforça indícios de que ela tenha ligações com a morte de René e do PM Davi Vilhena. Creuza declarou que o ex-PM Anderson da Silva Souza, acusado de ser o autor do crime, tinha ciúmes de Vilhena com o patrão.

 

14 de fevereiro: Justiça nega pedido de habeas-corpus de Adriana. Decisão levou em consideração conversas telefônicas que indicaram que ela tentou atrapalhar as investigações sobre o caso.

 

26 de fevereiro: Polícia do Rio faz a reconstituição do crime, no dia 7 de janeiro, na cidade de Rio Bonito.

 

27 de fevereiro: Juíza prorroga por 30 dias a prisão dos seis envolvidos no caso.

 

21 de março: Calisto Fernandes dos Santos Filho, de 66 anos, tio de René Senna, é encontrado morto na carceragem da Polinter, no Rio. Preso por estupro, ele estaria alojado na mesma cela de Anderson Silva de Sousa, ex-PM e ex-segurança de René, um dos suspeitos de ter participado do assassinato do milionário. O delegado responsável pelo caso informa que a Delegacia de Homicídios não vai investigar a morte pois não há indícios de que a morte tenha ligação com o assassinato de Renné.

 

26 de março: A polícia conclui o inquérito que investiga a morte e acusa Adriana como mandante do crime.

 

3 de abril: Após a conclusão do inquérito, a juíza Renata Gil da Segunda Vara de Rio Bonito, ouve os seis acusados pela morte de René Senna. A defesa de Adriana entrou com pedido de revogação da prisão preventiva no Fórum de Rio Bonito (RJ).

 

6 de junho: A ministra Laurita Vaz, do STJ, negou provisoriamente liminar do terceiro habeas-corpus pedido por Adriana Almeida. De acordo com o STJ, Adriana está presa por suspeita de ser a mandante do crime.

 

3 de agosto: O STJ extinguiu o processo de habeas corpus movido por Adriana, que tinha recorrido da decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que já havia negado sua liberdade.

 

2008

 

28 de junho: Adriana consegue um habeas corpus do STJ com o argumento de que o processo estava atrasado.

 

10 de setembro: Julgamento de Anderson Silva de Souza, Ednei Gonçalves Pereira e Ronaldo Amaral de Oliveira - três dos acusados pelo crime - é adiado pela segunda vez.

 

4 de novembro: A Justiça do Rio determina o desbloqueio dos bens de Senna em favor de sua filha, Renata, que terá direito a cerca de R$ 11 milhões. A parte dos bens que cabe à viúva continua bloqueada, até que o processo judicial seja encerrado.

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