Acusados isentam universitária de crimes em Campinas

Vestidos com uniformes de presidiários, Orlando Ernesto Carpino e Leandro Pereira Lima, ambos de 25 anos e acusados de assaltos a casa lotéricas e residências e formação de quadrilha, em Campinas - 100 quilômetros de São Paulo - eximiram, na noite desta quarta-feira, 4, a estudante de direito Ana Paula Souza, de 21 anos, de participar dos crimes. Ela, com roupas comuns, mas permanentemente algemada durante a hora e meia de duração da primeira audiência de interrogatório judicial que desdobra as investigações policiais que os une aos roubos, também afirmou que nunca se envolveu com os assaltos. A garota aparece em fotos e vídeos acompanhados dos dois rapazes além de Raoni Renzo Miranda, de 18 anos, seu namorado, empunhando um revólver e mostrando dinheiro resultado dos crimes. Raoni está foragido desde 7 de março quando os outros três foram presos em um apartamento de luxo no bairro nobre Cambuí, em Campinas, onde mora Ana Paula. A polícia garante que o prende em breve. Na fase policial do processo, para a delegada que comandou as investigações, Denise Margarido, os dois rapazes disseram em depoimento acompanhados de uma advogada que Ana Paula era a chefe da quadrilha e que era ela quem determinava quem e o que seria roubado nas ações em residências além de dirigir seu próprio carro para que os crimes fossem cometidos. A estudante chegou a ser reconhecida por uma mulher vítimas de assalto. Agora, os dois disseram que diante da situação que estavam, dos interrogatórios e da pressão que sentiam para confessar acabaram envolvendo a garota. O juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey vai convocar a delegada para esclarecer o fato. A polícia não comentou o caso nesta quarta. O promotor de Justiça criminal que ofereceu a denúncia contra a estudante e os dois rapazes, Celso Rocha Cavalheiro, disse que a guinada nos depoimentos não muda o caso. "Nossa acusação se baseia nas provas e nos testemunhos das vítimas", afirmou o promotor que considerou "normal" a alteração de depoimentos na fase judicial geralmente acompanhada de acusações contra a polícia. O advogado da estudante, Ralph Tórtima Stettinger, afirmou que não se surpreendeu. "Eles disseram tantas asneiras na polícia que a história toda acabou insustentável". O advogado disse que reavaliar sua atuação no processo a partir de agora mas não informou se vai ou quanto vai entrar com pedido de habeas corpus para a garota que está presa na Cadeia Feminina de Indaiatuba. Orlando e Leandro estão em penitenciárias da região. Stettinger afirmou que não tem receio da testemunha que reconheceu Ana Paula em um assalto a sua casa. Para ele, a mulher está equivocada.

Agencia Estado,

04 Abril 2007 | 20h30

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