Acusados voltam atrás e afirmam ter visto Eliza no sítio de Bruno

No segundo dia de audiências do caso, dois réus mudaram depoimento anteriormente prestado à polícia

Eduardo Kattah, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2010 | 18h21

CONTAGEM-MG - No segundo dia de audiências com os acusados de envolvimento no desaparecimento e possível morte de Eliza Samudio, dois dos nove réus mudaram nesta terça-feira, 9, os depoimentos prestados anteriormente à Polícia Civil e admitiram terem visto a ex-amante de Bruno Fernandes no sítio do goleiro, em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. À juíza Marixa Fabiane Rodrigues, no Fórum de Contagem (MG), Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho, e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, disseram que Eliza estava em companhia do bebê - que seria filho de Bruno com sua ex-amante - no período em que ela, conforme a denúncia, teria permanecido em cárcere privado no local.

 

Os dois foram acusados formalmente pelos crimes homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Conforme a investigação policial, Flavinho e Coxinha participaram da tentativa de esconder a criança depois que Eliza já estava morta e seu desaparecimento começou a ser investigado.

 

Primeiro a depor, Flavinho afirmou que viu Eliza e o bebê no dia 08 de junho, na área da piscina do sítio. Coxinha contou à juíza que no dia anterior viu a jovem com a criança no colo no mesmo local, onde Bruno e outros acusados tomavam cerveja. Disse que não havia confirmado a presença da vítima à Polícia, pois ficou "assustado" com a pressão exercida pelos delegados responsáveis pelo caso.

 

Nos depoimentos, porém, tanto Coxinha como Flavinho procuraram descaracterizar o crime de cárcere privado. A jovem, segundo Coxinha, transitava livremente pelo sítio. Ele disse que viu Eliza no local nos dias 07, 08 e 09 e não percebeu nenhum ferimento aparente na cabeça dela. "Não vi nenhum machucado, sangramento ou curativo", afirmou ao responder aos questionamentos de Américo Leal, advogado de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, braço direito de Bruno. Conforme a denúncia, Eliza foi morta na noite do dia 10.

 

Os réus negaram qualquer envolvimento com os crimes e disseram que apenas atenderam a um pedido da ex-mulher de Bruno, Dayanne de Souza. Flavinho, que prestava serviço de motorista para o casal, disse transportou a criança no dia 25 de junho para a casa a mãe de Dayanne, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. O bebê seguiu no colo de Coxinha e depois foi levado para outro endereço na região metropolitana da capital. "Não tinha nenhuma intenção de fazer mal à criança", afirmou Coxinha, alegando que a ex-mulher de Bruno pediu que ele arrumasse uma babá para cuidar do menino, na época com quatro meses.

 

Os outros réus serão ouvidos nos próximos dias. A expectativa é que Bruno seja o último a depor. Ércio Quaresma, que representa o goleiro, repetiu o que havia feito no dia anterior e dormiu durante o depoimento prestado na parte da tarde.

 

Na segunda-feira foram ouvidos Dayanne e Elenilson Vitor da Silva, caseiro do sítio. A ex-mulher de Bruno relatou ter ouvido de Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, que a intenção de Macarrão era matar não só Eliza como seu filho. O depoimento de Sérgio, inicialmente previsto para ontem (09) deverá ser tomado nesta quarta-feira, 10.

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