Adesão ao PSDB contagia até conterrâneos de Lula

O vaqueiro José Francisco da Silva, de 45 anos, e sua mulher, Vera Lúcia, de 44, nasceram em Garanhuns (PE), a terra do presidente Lula. Há 17 anos vieram para São Paulo, capital, e há 12 instalaram-se em Aparecidinha, na zona rural de Sorocaba, onde trabalham numa fazenda. Eles conhecem primos de Lula, e votaram nele para presidente. "Tem que ajudar o conterrâneo", brinca Silva. Dessa vez, no entanto, preferem Serra para presidente e Alckmin para governador.

, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

"Eu acho que deveria ser o Serra", diz o vaqueiro. "Ele pode fazer alguma coisa." Vera, que está grávida de quatro meses do quarto filho, cita uma clínica que ela frequenta e também as creches construídas em Sorocaba, 90 km a oeste de São Paulo. Eles não sabem distinguir o que foi feito por Serra quando ministro da Saúde e governador de São Paulo, por Alckmin, que o antecedeu, ou pelos prefeitos tucanos que administram Sorocaba desde 1996. Mas têm uma impressão geral de que esses políticos têm feito um bom trabalho.

"Nas outras eleições votei em Lula, porque eu fui metalúrgico", conta Jorge Pereira, de 49 anos, hoje administrador de um haras em Sorocaba. "Agora vou votar no Alckmin e no Serra. Aquela "Elisa" lá, não sei, a turma comenta que ela é muito..." diz Pereira, trocando o nome de Dilma, e sem conseguir defini-la. Pereira afirma que votou no atual prefeito tucano, Vítor Lippi, "porque ele é médico". E que tanto Lippi quanto seu antecessor, Renato Amary, atualmente deputado federal, "fizeram alguma coisa em Sorocaba". Em 2008, Lippi reelegeu-se no primeiro turno, com 79% dos votos válidos.

Depois de ter sido administrada entre 1996 e 2004 pelo petista Gilmar Dominici, Franca, 400 km a nordeste de São Paulo, foi para as mãos do PSDB, do prefeito Sidnei Franco da Rocha. Na eleição presidencial de 2002, Franca foi a cidade administrada pelo PT com a segunda maior vantagem de Serra sobre Lula. A primeira foi São Paulo, na época sob a prefeita Marta Suplicy. Sidnei se reelegeu em 2008 com 67% dos votos válidos.

Muitos moradores criticam a administração de Dominici. "Gilmar conseguiu destruir Franca", acusa Edgardo Vilioni, de 45 anos, professor de educação física na rede municipal. "Ele só pegava gente filiada ao PT, fez financiamento para pagar salário, deixou as ruas esburacadas", enumera. "O atual prefeito está dando um banho de administração. Abriu avenidas, trouxe mais indústrias." Durante seu primeiro mandato, venceu o contrato da cidade com a Sabesp. Sidnei negociou e recebeu R$ 30 milhões, que investiu no recapeamento das ruas, na abertura e alargamento de avenidas.

"Na nossa região não se sentiu a onda vermelha", constata Roberto Engler, que disputa o sexto mandato de deputado estadual pelo PSDB, e atua em 52 cidades do nordeste paulista. Engler, com uma campanha muito bem estruturada, pede votos para Serra e Alckmin. Mas ele reconhece: "Não tem como não admitir que nunca teve uma pessoa como Lula na história do Brasil. Ele consegue provar que água é pedra."

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