Adiada transferência de 165 presos da Polinter no Rio

A Polícia Civil adiou mais uma transferência de presos da carceragem da Polinter, na zona portuária do Rio, que está sendo esvaziada. Cerca de 165 presos que seriam transferidos para a casa de custódia de Magé, na Baixada Fluminense, só deverão deixar a unidade nesta sexta.A menos de uma semana do prazo estabelecido pela governadora Rosinha Matheus para a total desativação da carceragem (31 de janeiro), cerca de 500 presos ainda estavam sob custódia da Polícia Civil na Polinter. Mesmo assim, o delegado Cláudio Góis, titular da Polinter, acredita que será possível transferir todos os presos a tempo. "No dia 31 as celas estarão vazias", afirmou.O prazo para a retirada de todos os presos da Polinter foi determinado pela governadora no final do ano passado. Apesar de a desativação já ter sido recomendada até pela Justiça, a governadora só tomou a decisão depois que dois policiais morreram durante o resgate do traficante Marcélio de Souza Andrade feito por bandidos na porta do fórum da Ilha do Governador, na zona norte do Rio. As investigações mostraram que o traficante, que também acabou morto, tinha tramado o próprio resgate de dentro das celas da Polinter, onde tinha acesso a um telefone celular.Pelo menos quatro grandes operações de transferência de presos já foram feitas desde o dia 19 de janeiro, quando começou o processo de desativação da Polinter. Na ocasião, havia 1.220 presos na unidade. A intenção do governo estadual é ter todos eles sob a custódia do sistema penitenciário. Para tanto, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) convocou 90 novos inspetores de segurança aprovados em concurso e elaborou um cronograma de transferências que está sendo cumprido pela Polícia Civil. Com a transferência de 165 presos prevista para esta quinta-feira, ficarão ainda na Polinter 300 detentos à espera de encaminhamento nos próximos dias.Mesmo assim, segundo o delegado Góis, a delegacia já sente o alívio da redução do número de detentos. Segundo ele, está muito mais fácil administrar a carceragem e já dá para retomar as atividades de investigação. "Está bem melhor. O desembargador Siro Darlan esteve aqui para uma palestra sobre Justiça, pôde conversar com os presos. Com todos aqueles presos seria impossível", disse o delegado.O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, não quis dar entrevistas. De acordo com a sua assessoria, ele não quer falar antes do fim do prazo, já que o cumprimento do cronograma não depende exclusivamente dele, mas também da Polícia Civil. No que se refere à geração das 1.200 novas vagas necessárias no já saturado sistema penitenciário, a Seap informou que está dando prioridade aos presos da Polinter já condenados, que são cerca de 510.Uma das principais medidas foi a transformação da casa de custódia feminina de Magé em masculina, com 700 vagas. Também foram criadas novas vagas em outras casas de custódia e penitenciárias. Além disso, a Seap teve um reforço orçamentário para a compra de material como colchões e cobertores.

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