Administração de parque culpa crianças por acidente no teleférico

A administração do parque aquático Rio Water Planet, em Vargem Grande, zona oeste do Rio, culpou as crianças pelo acidente da queda do teleférico, que feriu dez pessoas. O acidente aconteceu nesta quinta-feira por volta das 11h30. Segundo a administração do parque, o acidente foi provocado por crianças que balançaram o cabo de sustentação do teleférico. As vítimas caíram de uma altura de seis metros.Doze pessoas ocupavam as cadeiras sustentadas pelo cabo - a capacidade é para 48 - na hora do acidente. A estudante Fernanda Martins Pelosi, de 20 anos, e o bombeiro Robson Correa Neto, que controlava o teleférico, tiveram lesões na coluna vertebral e permanecem internados no Hospital Rio Mar, na Barra da Tijuca, na zona oeste. Os demais tiveram escoriações e contusões. Foram atendidos nos hospitais Rio Mar e Lourenço Jorge: Gustavo Tavera Martins Figueiredo, de 21 anos, Marília de Paiva Martins, de 49 anos, Camilo Silveira dos Reis, de 37 anos, Carlos Martins Figueiredo, de 46 anos, Edwirges Figueiredo, de18 anos, e José Cláudio Ferreira, de 41 anos.BalançoO gerente de marketing do parque, Pedro Branik, informou que o cabo caiu porque o sistema de tração foi paralisado automaticamente, quando detectado o balanço do fio.De acordo com Branik, este é o procedimento padrão para uso indevido do aparelho. "Nosso teleférico é homologado pela Gerência de Engenharia Mecânica da Rioluz (órgão do município que fiscaliza elevadores e teleféricos) e passa por manutenção constante. Em três anos de funcionamento, nunca houve falha", afirmou. O gerente garantiu que as cadeiras que ficam presas ao cabo têm trava de segurança e, por isso, ninguém foi aremessado para fora. A direção do parque - que impediu o acesso da imprensa ao local do acidente - informou que o socorro foi feito de helicóptero e demorou poucos minutos para chegar ao topo do morro, onde se localiza o teleférico. Apesar de ter capacidade para 7 mil pessoas, o Rio Water Planet conta apenas com uma ambulância e equipe médica de quatro pessoas. Segundo o gerente, o parque tem convênio com o Hospital Rio Mar, que atende os freqüentadores em caso de acidente.DemoraTestemunhas disseram que o socorro demorou a chegar. "Meia hora depois ainda tinha muita gente sangrando e sem receber qualquer atendimento médico", disse o geólogo Paulo Rocha, de 40 anos, que levou oito crianças ao parque. "Minha mulher, médica, resolveu atendê-los por conta própria. Nunca mais volto a este lugar." Uma das vítimas, Ricardo Henrique Martins Figueiredo, de 42 anos, disse que ouviu um barulho muito forte e, em seguida, todos os passageiros despencaram na mata. "Foi um acidente horrível. Fiquei preocupado com minha namorada, presa à cadeira", contou. A estudante Larissa Amado Torres, de 19 anos, estava na fila para pegar o teleférico - que, depois de percorrer um percurso de cerca de 60 metros, leva a dois brinquedos do parque - e contou que quando as vítimas caíram no chão os funcionários encarregados de controlar o sistema acusaram uma criança que mexia no cabo. "Ele gritou e disse que a culpa tinha sido do menino. Isso é um absurdo, em se tratando de um parque em que a maior parte do público é de crianças", disse Larissa. Segundo Branik, junto ao teleférico existem placas que alertam sobre as medidas de segurança do aparelho. As cerca de 3.500 pessoas que estavam no parque - o maior do gênero na América Latina - na hora do acidente tiveram de deixar os brinquedos e piscinas quando a Defesa Civil chegou e interditou parte da área. Alguns pediram o dinheiro do ingresso de volta (R$ 24). Peritos estiveram no local para avaliar as condições de segurança em que os aparelhos operam.

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