Administrador morto por policiais militares é enterrado no Rio

Cerca de 300 pessoas, entre parentes e amigos, acompanharam sepultamento de Luiz Carlos Soares da Costa

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 20h06

Cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro do administrador de empresas Luiz Carlos Soares da Costa, de 35 anos, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, no fim da tarde desta terça-feira, 15. Muito emocionada, Simone, mulher de Costa, foi amparada por parentes e amigos. O administrador, que também era pastor evangélico, foi enterrado ao som de hinos religiosos e gritos por justiça.   Veja também: PM do Rio defende policias de ação que matou administrador Infoglobo lamenta a morte do funcionário atingido por PMs Polícia atribui morte de administrador no Rio a ladrão Polícia não vai mudar procedimentos, diz Beltrame   Lula, como era chamado pelos parentes, foi lembrado como um rapaz trabalhador, que estudou com dificuldades e cresceu profissionalmente no Infoglobo, empresa em que foi contratado como contínuo, aos 19 anos. "Ele teve de interromper o segundo grau. Mas quando começou a trabalhar no Infoglobo ele foi estimulado a crescer", contou o irmão, Ednaldo Dias, de 50 anos.   Depois de ter se formado em administração de empresas, passou a atuar na área de logística na empresa. Estudou ainda teologia e era pastor da Igreja Assembléia de Deus, na Ilha do Fundão, zona norte. Casou-se com Simone, sete anos atrás. Era com ela que o administrador falava ao Nextel, quando foi abordado por bandidos. A ligação foi interrompida bruscamente. O casal planejava para breve o primeiro filho. No ano passado, abriu com outros dois amigos, também da igreja, uma empresa de limpeza e conservação.   "Meu irmão estava no auge da vida, empolgado, feliz. Acordava todos os dias satisfeito por estar crescendo profissionalmente, construindo sua família. Nós poderíamos perder o meu irmão para qualquer bandido. Mas é duro aceitar que ele teve a vida ceifada por aqueles que deveriam protegê-lo", Dias.   Lula era o caçula dos 12 filhos - cinco homens e sete mulheres - de Lindalva Francisca. O primeiro ela perdeu ainda na Paraíba, quando o menino tinha oito anos e foi atropelado por um caminhão que deu marcha à ré. Nesta tarde, estava resignada.   "Ela está muito forte para uma pessoa de 77 anos. Ela é evangélica e está segura porque tem fé. O Lula tinha tomado para si as responsabilidades em relação a nossa mãe. Desde que passou a trabalhar no Infoglobo, assumiu todas as despesas dela. Ele era muito responsável, mais que os irmãos mais velhos", disse Dias, muito emocionado.   Outro que estava muito emocionado era o sobrinho Rogério Soares Guilherme, de 20 anos. "A última vez que nos vimos foi há 15 dias. Ele foi à minha casa para me dar conselhos, eu brincava com ele. Eu costumava chamá-lo de playboy, porque estava sempre arrumadinho. Na hora de ir embora, eu disse: te amo ,tio. Eu não podia imaginar que seria a última vez".

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