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Adolescente de 14 anos confessa que matou primo de 4 na Maré

Corpo do menino foi encontrado pela mãe dentro da máquina de lavar roupa da casa

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2014 | 18h11

RIO - Um adolescente de 14 anos confessou ter matado o primo, de apenas 4, na noite desta quarta-feira, 16, no Complexo da Maré, zona norte do Rio. O corpo de Caio Henrique Santos da Silva foi localizado na manhã desta quinta-feira, 17, dentro da máquina de lavar da casa da própria mãe, Vanessa Lima dos Santos, de 31 anos. O delegado da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, disse que o crime foi cometido de forma "muito fria".

Segundo Barbosa, o adolescente pediu abrigo à tia, na noite de terça-feira, 15, depois de ser expulso de casa, em Mangaratiba (litoral sul do Estado), pelo irmão. No dia seguinte, ele viu Caio chegar da escola alegre com os brindes de Páscoa e, irritado, asfixiou o menino.

O adolescente ainda deu quatro ou cinco facadas na criança desacordada. Em seguida, enrolou o corpo em uma colcha e escondeu primeiro no armário, depois na máquina de lavar. O corpo da criança foi localizado enquanto a mãe, a cozinheira Vanessa Lima, que tem outros quatro filhos, prestava depoimento na 21ª Delegacia, em Bonsucesso.

Histórico. Esta é a terceira morte na favela em menos de duas semanas de ocupação pelas Forças de Pacificação do Exército. Na segunda-feira, 14, Teresinha Justino da Silva, de 67 anos, foi atingida por dois tiros ao deixar uma farmácia. Ela morreu no local e outra pessoa ficou ferida. Ainda não há informações sobre a autoria dos disparos. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que solicitou as armas dos policiais militares que atuavam na região naquele dia.

No sábado, dia 12, Jeferson Rodrigues da Silva, de 18 anos, foi morto a tiros na comunidade Vila do João. Segundo o exército, a vítima estava com outro jovem em uma viela e reagiu ao ser abordado por uma patrulha. Houve troca de tiros com suspeitos e o suspeito foi atingido.

Ocupação. O Exército ocupa o conjunto de 15 favelas com 2500 militares da Brigada Paraquedista e fuzileiros navais. Na segunda etapa, prevista para o segundo semestre, outros 4 mil militares da Força Nacional podem atuar na operação, batizada de São Francisco. Duas semanas antes da chegada das Forças Armadas, a Polícia Militar também ocupou o conjunto de favelas. No período, de acordo com a Secretaria de Segurança do Rio, 16 pessoas foram mortas e outras oito ficaram feridas. Um arsenal de 101 armas foi encontrado.

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