Adolescente é atingido por arma de guarda municipal

O estado de saúde do jovem de 16 anos baleado em um confronto com um guarda municipal, sábado de madrugada, em Jundiaí, é grave e instável, informou a assessoria de imprensa do Hospital São Vicente, onde ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O rapaz foi atingido na cabeça, passou por cirurgia no sábado de manhã para a remoção da bala e permanece em coma induzido. A.G. e um amigo estavam pichando uma propriedade particular, no sábado de madrugada, na Vila Branco, quando foram flagrados pela Guarda Municipal, acionada por vigilantes noturnos particulares. O guarda Luiz Lourenço dos Santos, de 37 anos, se aproximou da dupla. O adolescente avançou contra ele e puxou a arma do coldre. O revólver disparou, atingindo A .G. na cabeça. O tiro ainda acertou de raspão o amigo do jovem. Os dois foram levados pelos guardas para o Hospital São Vicente, onde A .G. permaneceu internado. Segundo o comandante da GM de Jundiaí, coronel Claudio Roberto Benevides Neves, Santos ficou em estado de choque após a ocorrência. O coronel explicou que ele atua como guarda municipal há 17 anos, é dono de uma ficha "impecável, sem registro de uma falha sequer". Neves revelou que foi aberta uma sindicância administrativa para apurar o caso, paralelamente às investigações criminais. Mas adiantou que o guarda não será afastado. Na polícia, o Boletim de Ocorrência foi registrado como disparo de arma de fogo. O comandante contou ainda que o coldre, retido para ser periciado, apresenta "claros sinais" de que houve violência. "Lamento pela família do rapaz, mas o guarda não cometeu nenhum erro. E apelo para que os pais se informem sobre as atividades de seus filhos", alertou Neves. Ele lembrou que pichar prédios é crime passível de três meses a um ano de prisão. Enfatizou que a agressão partiu do adolescente e reiterou que o guarda "não cometeu nenhum crime, por isso não deve ser condenado antecipadamente". Neves afirmou que os GMs de Jundiaí são treinados para manipular armas de fogo, entre outros quesitos de sua formação, e passam por laudos psicológicos antes de receber o revólver. A ocorrência de Jundiaí foi registrada uma semana depois de um adolescente de Vinhedo ter sido morto com um tiro por um guarda municipal, porque teria tentado fugir. O caso está sendo investigado e o GM foi afastado.

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