Adolescente é baleada na cabeça em troca de tiros no Rio

PM diz que não fez operação no local e que menina foi vítima de tiroteio entre traficantes; estado dela é grave

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2009 | 14h59

Uma menina de 12 anos foi baleada nesta quarta-feira, 7, na cabeça na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio. De acordo com vizinhos e parentes, Priscila Félix da Silva, de 12 anos, estava na laje do barraco de uma vizinha, a 50 metros de sua casa, quando houve um tiroteio. A bala atingiu o crânio da menina, que chegou ao Hospital Getúlio Vargas em estado gravíssimo, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde. No fim da tarde, após cirurgia, ela foi transferida para o Centro de Tratamento Intensivo, e o quadro era estável.   De acordo com o comando do 16.º Batalhão de Polícia Militar, em Olaria, na zona norte, "não houve troca de tiros" no momento em que Priscila foi baleada. Um blindado que passava pela favela "em patrulha de rotina" teria sido atacado a tiros, e os PMs não revidaram, afirmou a polícia. No início da noite houve mais disparos na Vila Cruzeiro, após uma apreensão de maconha realizada pela polícia.   Priscila foi socorrida pela mãe, que pediu carona a um caminhão de gás para levá-la ao hospital. A menina havia ido à laje da vizinha, a pedido da mãe, para recolher a roupa estendida no varal. Sentada na guia à espera de informações sobre o estado de saúde da filha, na porta do hospital, a dona de casa Ediléia reclamou da política de segurança do governo do Estado.   "Se eu pudesse, faria justiça com as minhas mãos. Se a gente depender das autoridades, vai morrer (esperando) de dente arreganhado", disse a mãe. "Só vejo covardia. Foi só esse desgraçado de Caveirão (blindado) passar. Nunca me arrependi tanto como de ter votado no (governador) Sérgio Cabral (PMDB)." Alguns parentes ficaram irritados com equipes de TV que filmavam o grupo, apesar do pedido para que isso não fosse feito, e xingaram cinegrafistas.   A PM orientou motoristas a evitarem as imediações da favela, pois havia a informação de que criminosos planejavam incendiar ônibus e carros em protesto pela morte da criança. A Associação de Moradores da Vila Cruzeiro alegou que houve uma incursão policial e troca de tiros entre PMs e criminosos.   Crianças mortas    Em dezembro, duas crianças ficaram feridas por balas na região, e uma perdeu a visão de um olho. No fim do ano passado, a morte de duas crianças em tiroteios entre policiais e traficantes revoltaram moradores do Complexo da Maré, na zona norte. No dia 4 de dezembro, Matheus Rodrigues Carvalho, de 8 anos, foi morto com um tiro de fuzil na cabeça, quando saía de casa, na Favela Baixa do Sapateiro, uma das comunidades da Maré. Parentes do menino acusam policiais militares.   No dia 19 daquele mês, na Favela Parque União, a menina Larissa de Lima Felix, 14 anos, foi morta em outro confronto entre policiais civis e traficantes, que deixaram outros três mortos e sete feridos. Em ambas as ocasiões, moradores fecharam a Linha Vermelha, uma das principais vias expressas da cidade, apedrejaram e queimaram carros.   (Com Felipe Werneck, de O Estado de S.Paulo)   Atualizado às 19h30 para acréscimo de informações

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