Adolescente é morto a tiros em frente a escola em Pernambuco

Polícia acredita que o crime ocorreu em função de um acerto de contas com traficantes; 'Tem gente que traz faca todo dia para se defender dos malandros', diz primo da vítima que estuda no local

Monica Bernardes - O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2010 | 14h38

RECIFE - Um dia após o assassinato do estudante Ricardo Daniel Cabral, 17 anos, ocorrida no pátio externo da escola Bernardo Vieira de Melo, no bairro do Socorro, município de Jaboatão dos Guararapes, região Metropolitana do Recife, a Secretaria Estadual de Educação declarou, nesta sexta-feira, 23, através de uma nota oficial que o crime "não se caracteriza como violência escolar" e responsabilizou a "violência urbana" pelo ocorrido. As aulas foram suspensas até a próxima segunda-feira. O clima entre alunos, professores e funcionários é de apreensão.

 

Apesar das investigações ainda não terem sido concluídas, a Polícia Civil de Pernambuco acredita que o assassinato ocorreu em função de um "acerto de contas" com traficantes locais. O estudante era usuários de drogas e segunda a família tinha dividas relativas ao consumo de entorpecentes. O crime aconteceu por volta das 19h30, da última quinta-feira, quando o adolescente chegava à escola para assistir aula. Testemunhas disseram que o crime teria sido praticado por três ou quatro homens.

 

Um primo de Ricardo, que se identificou apenas como "Galego" e estuda na mesma escola, afirma que é comum a entrada de pessoas armadas no local. "Não há segurança nenhuma. Tem gente que traz faca todo dia para se defender dos malandros. Do mesmo jeito que eles entram, os traficantes fazem o que querem", afirmou em entrevista por telefone.

 

A delegada responsável pelas investigações, Patrícia Domingues, confirmou que, em depoimento, alunos, professores e funcionários reclamaram da insegurança no local. "Há relatos de roubos e ameaças no entorno e até dentro na área escolar", destacou. Segundo comerciantes locais, os assaltos, muitos dos quais praticados por usuários de drogas que frequentam os pontos de venda da região são constantes.

 

A unidade de ensino, que tem 1.612 alunos matriculados, fica bem ao lado da 2º Delegacia de Polícia de Jaboatão, cujo horário de funcionamento vai até as 18h. Após o crime, a Polícia Militar informou que iria reforçar a segurança na área, com o apoio de policiais do 6º batalhão da PM e da Patrulha Escolar. Ainda segundo a Secretaria de Educação, serão organizadas palestras educativas para conscientizar os alunos sobre os perigos do consumo de drogas. Até o final da tarde de ontem, parentes aguardavam a liberação do corpo de Ricardo Daniel aguardava pelo Instituto de Medicina Legal de Pernambuco.

 

Texto atualizado às 16h15.

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