Adolescente mantém mulher refém em farmácia de Salvador

Transtornado, segundo disse, pela falta de atenção dos seus familiares, o adolescente conhecido como Kiko, de 17 anos, viciado em drogas, invadiu por volta das 10 horas a loja daFarmácias Santana da Estação Rodoviária da capital baiana e, armado com uma faca peixeira, tomou a caixa Zuleica de Jesus Lima, de 32 anos, como refém. Integrantes da Tropa de Choque da Polícia Militar cercaram o local minutos depois, enquanto delegados especiais passaram a negociar com o rapaz tentando convencê-lo a se entregar.Durante vários momentos Kiko largou a faca e poderia ser atingido por um atirador de elite, mas a polícia não quis balear o rapaz. "A nossa determinação é salvar a refém preservando também o rapaz", explicou no inicio da tarde o delegado Jacinto Alberto, coordenador do Comando de Policiamento da Capital que comandava a operação. "Não é um caso de assalto, é de desequilíbrio emocional", enfatizou.A farmácia, que está situada logo na entrada da rodoviária tem paredes de vitrine, o que permitia aos policiais e curiosos acompanhar todo o drama da caixa Zuleica, embora a polícia tenha isolado o local e fechado o acesso de veículos à estação. Morador do município baiano de Irará onde mora com a mãe Maria das Graças Barbosa, Kiko chegou nesta segunda-feira a Salvador para realizar tratamento de desintoxicação de drogas num clinica da cidade. Ele ficou hospedado na casa de um tio a quem pediu para comprar sua passagem de volta na manhã desta terça-feira.Enquanto o tio se dirigia ao guichê da rodoviária, Kiko entrou na farmácia e encostou a ponta da faca na nuca da caixa Zuleica. Funcionários e clientes pensaram tratar-se de um assalto, mas quando os primeiros policiais chegaram ao local Kiko disse que pretendia matar a refém e se suicidar porque seus familiares não lhe davam apoio para largar as drogas.Após passar algum tempo sentado no caixa com Zuleica, ele decidiu se proteger com a mulher no chão de um dos corredores da farmácia, mas levantou várias vezes sem a faca. Os policiais, entre os quais o delegado especial Hélio Jorge conseguiram acalmar Kiko que deu água à sua refém e às vezes a acariciava na cabeça. "Nós queremos vencê-lopelo cansaço", comentou o delegado. Por volta das 12h30 o rapaz pediu aos policiais que trocassem sua faca por um revólver mas não foi atendido. Também recusou-se a falar com os seus dois tios que moram em Salvador. Um deles, Derivaldo Barbosa explicou que o rapaz tem comportamento normal quando não se droga e mesmo drogado nunca foi, anteriormente, agressivo. Derivaldo contou que foi seu irmão que estava com Kiko na rodoviária quando o rapaz decidiu invadir a farmácia.

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