''Adotamos essa regra por pressão social'', afirma juiz

ENTREVISTA - Fernando Antônio de Lima: juiz de Ilha Solteira

Entrevista com

Chico Siqueira, ILHA SOLTEIRA (SP), O Estadao de S.Paulo

27 de abril de 2009 | 00h00

A adoção do toque de recolher em Ilha Solteira, que completa uma semana hoje, ocorreu por pressão da sociedade, informa o juiz Fernando Antônio de Lima, em entrevista ao Estado. Ilha Solteira é uma das cidades que apresentam maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e uma das que contam com menor índice de analfabetismo no Estado. "Antes de tudo, fizemos 16 reuniões com representantes da sociedade." Por que o senhor decidiu adotar o toque de recolher? Fernando Antônio de Lima - Por pressão social. Em 2008, pais e professores procuraram o Conselho e o Juizado para reclamar dos adolescentes. Os professores diziam que os alunos estavam perdendo rendimento escolar e tinham problemas de comportamento nas salas de aula. Os pais diziam que não conseguiam mais controlar os filhos. Então decidimos abrir a discussão com a sociedade. Entre julho e março, fizemos 16 reuniões com representantes da sociedade civil. Ao final, chegamos à conclusão de que o melhor seria restringirmos o horário. O que faziam nas ruas? Eu mesmo passei a sair à noite e pude ver a molecada até as 2 horas da madrugada, conversando ou fazendo uso de bebidas alcoólicas e entorpecentes. No dia seguinte, esses meninos dormiam na carteira durante a aula. Isso influenciava no aumento da delinquência juvenil?Sim, o Departamento de Assistência Social do Fórum fez um levantamento em que constatou o aumento das reclamações no Conselho Tutelar e das ocorrências de atos infracionais em 2008. Foram 250 ocorrências naquele ano, um número elevado para uma cidade com cerca de 7,5 mil menores de 18 anos. As principais ocorrências eram com relação a desentendimentos com pais e professores, pequenos furtos, uso de drogas e bebidas alcoólicas. Mas há reclamações sobre o horário. Afinal, um estudante que sai da escola às 23 horas pode ser recolhido. É preciso deixar claro que nossa portaria estabelece que só menores em situação de risco serão recolhidos. Ninguém vai recolher menor voltando para casa de um curso ou da escola. Muito menos se ele saiu para ir na casa de um parente ou de um vizinho. Vamos continuar tendo bom senso, que é o mais importante.

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