Adversários articulam frente contra Haddad

Decisão do grupo majoritário do PT em prol do ministro da Educação uniu pré-candidatos a prefeito de São Paulo e prévias ganharam força

IURI PITTA, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h06

Toda ação gera uma reação, dizem as leis da física e da política. A decisão da corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), de apoiar a pré-candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação) à Prefeitura de São Paulo fez os grupos dos demais postulantes à vaga não só reafirmarem a disposição de ir às prévias, em 27 de novembro, como de traçar cenários para alianças num eventual segundo turno da disputa interna.

A CNB, da qual faz parte o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal defensor de Haddad, reforçou seus quadros nas últimas semanas e, com isso, acredita ser hoje a tendência mais forte dentro do PT. As outras duas correntes mais fortes - Novo Rumo, da qual faz parte o deputado Carlos Zarattini, e PT de Lutas e Massas, liderada pelo deputado Jilmar Tatto - perderam quadros, mas ainda somam mais da metade do diretório municipal. Fora isso, os militantes da senadora Marta Suplicy estão diluídos nas diversas tendências petistas - o que torna difícil mensurar o apoio à ex-prefeita, embora ela seja a mais ovacionada nas reuniões dos diretórios zonais.

Com esse cenário em vista, os adversários de Haddad afirmam que a realização de prévias está ainda mais provável e não tão favorável a ele. "Quem teria de ir já foi (para o grupo pró-Haddad)", disse Tatto. "Continuo trabalhando pela minha candidatura, conversando muito dentro do PT."

Retrospecto. Defensores de Marta, Tatto e Zarattini lembram outras disputas internas do PT em que, apesar do apoio das líderes nacionais a um candidato, a militância não seguiu essa orientação automaticamente. A história, creem, pode se repetir.

Em 2006, o hoje ministro Aloizio Mercadante era o favorito de Lula para concorrer ao governo do Estado e venceu as prévias contra Marta por menos de 5 mil votos, num universo de mais de 67 mil militantes. Na década anterior, na própria capital, a então petista Luiza Erundina venceu prévias também contra Mercadante, o favorito de Lula na época.

Ontem Lula também se amparou no retrospecto eleitoral, mas para insistir na tese de que o PT precisa inovar e lançar "pessoas novas". "A Marta sempre será uma forte candidata, ninguém pode dizer que alguém que começa a corrida com 30% é fraca, mas nós sempre tivemos 30% dos votos em São Paulo", observou ele, em Salvador. "Ganhamos com a Luíza Erundina em 1988 com 30%, ganhamos com a Marta com 30%, depois perdemos com a Marta e com o Aloizio Mercadante, com 30%. Então o PT tem 30% em São Paulo quem quer que seja o candidato."

Para Lula, é preciso encontrar "um José Alencar da capital", a partir de composição política com outros partidos que possam dar os 20% de votos de que o PT precisa. / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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