Adversários querem ganhar eleição com ´questões virtuais´, diz Lula

A uma semana das eleições, e vendo seu adversário tucano crescer nas pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o comício realizado neste sábado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para conclamar os que o apóiam a ir para as ruas em todo o País. Apesar de estar na frente nas pesquisas, e com folga, o fato de Alckmin registrar um crescimento constante deixou Lula e seus aliados na defensiva. "Eles querem ganhar as eleições sem fazer debate econômico e administrativo, apenas falando em coisas virtuais".Lula levou para o palanque o vice-presidente José Alencar, sete ministros e o candidato do PMDB ao Senado, Newton Cardoso. O presidente disse para as cerca de 4 mil pessoas presentes ao comício que, ao indicar a mineira Carmen Lúcia para o Supremo Tribunal Federal (STF), mostrou que não governa de Brasília. "Fui às entranhas desse País, em Espinosa, buscar a Carmen Lúcia. Ela me disse uma vez que a única boneca que ganhou da mãe foi uma boneca de sabugo de milho. Eu, ao ouvir isso, disse: essa é a mulher", afirmou Lula. Na tática de comparar seu governo ao de Fernando Henrique Cardoso, ele disse que nas administrações dos governadores Itamar Franco e Eduardo Azeredo, estes receberam menos repasse de dinheiro do governo federal do que Aécio Neves de seu governo. "Isso é a prova de que não discrimino ninguém".Lula falou voltou a elogias as políticas sociais de seu governo. "Quando nós ganhamos as eleições, este País gastava R$ 7 bilhões com políticas sociais; hoje, gasta por volta de R$ 23 bilhões. O que é importante mesmo é cuidar do povo brasileiro, de nossas crianças, jovens e mulheres", disse ainda o presidente Lula.O presidente avaliou que há muita "bobagem" e "falta de informação" sobre o governo dele. Disse ter instalado dez universidades, recorde atingido apenas por Juscelino Kubitschek (1956-1961). Ao ler uma faixa de estudantes que reclamavam da relação do Brasil com o FMI, o presidente rebateu: "Tem muita gente desinformada, o FMI está fora daqui há dois anos. Vejam a desinformação, um jovem não sabe que o fundo não dá mais palpite aqui." José Alencar, que concorre novamente ao cargo de vice-presidente, aproveitou o fato de estar em Minas Gerais, seu Estado natal, para pedir que os mineiros não mudem de voto. "Minas não pode ser usada como curral eleitoral", apelou ele, tendo em vista que nos últimos dias Alckmin tem crescido nas pesquisas, principalmente depois da entrada do governador Aécio Neves (PSDB) na campanha. Alencar defendeu Lula e não poupou o PT: "Eu estou ao lado do presidente Lula e vejo tudo. Ele é sério e tem sido vítima até de companheiros".DefesaLula defendeu o o candidato do PMDB ao Senado, Newton Cardoso, presente no comício. Cardoso é acusado pelo Ministério Público e pelo PT no passado de lesar os cofres públicos de Minas Gerais quando foi governador.Ele se eximiu ainda de qualquer participação nos escândalos que atingiram o Congresso e derrubaram diversos ministros do governo do PT. "Não podemos mais repetir aquele tipo de gente que tem lá", afirmou. "É preciso melhorar o nível das pessoas comprometidas com o governo."Sempre ao lado de Lula no palanque, Cardoso disse também em discurso que o Congresso é um "covil" que tenta impedir Lula de governar. Antes de discursar, Lula fez questão de chamar cada um dos sete ministros que o acompanharam no evento para falar por dois minutos sobre as ações das pastas. Participaram do comício os ministros Walfrido Mares Guia (Turismo), Tarso Genro (Relações Institucionais), Fernando Hadad (Educação), Orlando Júnior (Esporte), Luiz Dulci (Secretaria-Geral), Hélio Costa (Educação) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), também subiu ao palanque.Matéria atualizada às 15h10

Agencia Estado,

23 de setembro de 2006 | 14h25

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