Advogada admite ter forjado documento para entrar em presídio

A advogada Ariane dos Anjos, que tem vários clientes integrantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e presta depoimento desde às 12 horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas, reconheceu na tarde desta quarta-feira, 6, em Brasília, que forjou um documento para tentar obter autorização para fazer visitas íntimas a um preso identificado como Donizete Antonio de Oliveira, em 2005. Segundo deputados da CPI, Oliveira ocupava na época o mesmo pavilhão onde estava preso o chefe do PCC, Marcos Camacho, o Marcola. Para entrar no presídio - cujo nome ainda não foi revelado pela CPI - como visitante e não como advogada, Ariane assinou um termo declarando que convivia maritalmente com Donizete há mais de dois anos. A informação era falsa e gerou a abertura de um inquérito na delegacia de Presidente Prudente. "Menos de duas semanas depois de mandar esta documentação, eu desisti porque achei que não havia motivo para tentar a autorização", afirmou Ariane. Ela disse que na verdade teve um relacionamento de apenas dois ou três meses com Oliveira e não explicou porque forjou o documento. "Acho que fui meio burra", disse a advogada. Para o relator da CPI, Paulo Pimenta (PT-RS), Ariane tentou entrar no presídio como visitante para ter acesso mais facilmente aos integrantes do PCC já que Donizete Antonio de Oliveira estava no mesmo pavilhão de Marcola. Ariane insiste em negar qualquer colaboração com a facção criminosa ou participação no assassinato do juiz corregedor Antonio Machado José Dias, em março de 2003. A advogada revelou ter sido casada por dois anos com o agente penitenciário Evandro Castelucci Arantes, que foi demitido do serviço público depois de responder a processo por infrações cometidas durante o trabalho.

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