Advogada de Humberto Costa acusa procurador de má-fé

A advogada do ex-ministro Humberto Costa (PT), Marília Fragoso, acusou nesta terça-feira o procurador da República Gustavo Pessanha de ter agido de má-fé e sem nenhuma lógica jurídica na denúncia contra o petista, que é candidato ao governo de Pernambuco. Para ela, a denúncia foi mal elaborada e de conotação política, com o intuito de prejudicar a campanha do ex-ministro. "É uma maldade o que está sendo feito com Humberto Costa", afirmou ela, ao Estado, ao frisar que o próprio Pessanha reconheceu não haver indícios de que o ex-ministro tenha tocado em dinheiro."A denúncia se baseou toda e tão-somente porque ele tinha indicado Luiz Cláudio (Luis Cláudio Gomes da Silva, pernambucano que respondia pela área de Logística do Ministério), que foi preso na Operação Vampiro", observou, ao voltar à carga contra o procurador: "Ele não podia ter enquadrado Humberto Costa no crime de corrupção passiva, porque Humberto não se beneficiou nem tirou vantagem". Marília Fragoso observou que Luiz Cláudio expandiu seu patrimônio pessoal, prova de enriquecimento ilícito. "Ele foi preso, teve os bens seqüestrados, foi indiciado e denunciado, mas Humberto não pode ser responsabilizado por isso".Ela destacou que mesmo não se levando em consideração o fato de ter sido Humberto Costa quem tomou a iniciativa de pedir a investigação à Polícia Federal, o ex-ministro acompanhou as operações sigilosas realizadas pela PF, pelo procurador da República Guilherme Schelb e pelo procurador de São Paulo, Marlon Weichert. "A operação foi um sucesso devido ao total sigilo", afirmou, ao avaliar que se Humberto Costa tivesse parceria com os vampiros, a operação não teria tido êxito.Marília Fragoso não tem dúvida de que o ex-ministro vai provar sua inocência na justiça. Considera a denúncia neste momento, na semana da eleição, como um complô contra sua candidatura e não descarta a possibilidade de vir a entrar com uma representação contra Gustavo Pessanha. "Estou estudando a denúncia", disse. Ela afirmou que o procurador da República é amigo pessoal do procurador José Robalinho, filho do ex-secretário de Saúde Guilherme Robalinho, que foi várias vezes citado em depoimentos de envolvidos na Máfia dos Vampiros.Robalinho, que tinha bom relacionamento com o então ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB), teria um suposto envolvimento com um dos representantes da multinacional suíça Octapharma, Jaisler Jabour, também denunciado na máfia dos vampiros, que teria financiado campanhas políticas em Pernambuco.Na avaliação da advogada, ao encaminhar para a justiça eleitoral e justiça de Pernambuco as denúncias realizadas por 11 deputados ligados à coligação "Melhor por Pernambuco", que apóia a candidatura de Costa, Pessanha fez "uma manobra" para livrar "o pessoal do PSDB de uma denúncia na ação penal".Os parlamentares encaminharam no dia 19 uma petição de novas diligências e aprofundamento das investigações, ampliando-as para o então ministro Serra, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e o então vice-governador Mendonça Filho (PFL), hoje governador e candidato à reeleição. Ela não aceita o argumento do procurador de que as investigações solicitadas nada tinham a ver com a Operação Vampiro. A advogada assegura, para não haver dúvidas, que o oferecimento de quebra de sigilo bancário e telefônico do ministro foi protocolado no dia 31 de agosto, às 10h10, no protocolo geral MUCJU número 029477-002.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2006 | 20h02

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