REUTERS/Jorge Adorno
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Advogada executada denunciou corrupção na cúpula da polícia paraguaia

Laura Marcela Casuso, de 54 anos, assassinada a tiros, gravou áudios incriminando autoridades. Procuradoria designou grupo para investigar o caso

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2018 | 19h43

SOROCABA – A advogada argentina Laura Marcela Casuso, de 54 anos, assassinada a tiros, na noite de segunda-feira, 12, em Pedro Juan Caballero, na fronteira do Paraguai com o Brasil, gravou áudios que incriminam por corrupção importantes autoridades policiais paraguaias. Conforme o jornal paraguaio ABC Color, os áudios enviados em abril a uma jornalista expõem a corrupção da alta cúpula da Polícia Nacional do Paraguai e sua ligação com o crime organizado.

Um dos implicados, o diretor-geral de Investigações Criminais da Polícia Nacional, Abel Cañete, já havia sido acusado de corrupção em entrevista dada, na prisão, pelo narcotraficante brasileiro Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o “Marcelo Piloto”. Laura era advogada do brasileiro.

Na entrevista coletiva, o preso disse que pagava “bem caro” para ser protegido por Cañete. O diretor-geral negou a acusação, mas está sendo investigado. Os áudios gravados por Laura comprometem também integrantes da cúpula da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai. Num dos áudios, a advogada deu a entender que seria assassinada.

As gravações reforçam a hipótese, levantada durante as investigações, de que a execução da advogada argentina foi "queima de arquivo". Ela atuou também na defesa do narcotraficante Jarvis Chimenez Pavão e, nos áudios, detalha a cumplicidade de chefes da polícia, políticos e funcionários do Estado paraguaio com o crime organizado.

Conforme a advogada, a cúpula da polícia disputava os bens e propriedades de Pavão, que ficaram sob sua guarda, depois que ele foi extraditado para o Brasil.

Nesta quarta-feira, 14, a procuradora-geral do Estado, Sandra Quiñonez, designou um grupo de agentes da capital para investigar o assassinato da advogada Laura Casuso. A equipe se deslocou para Pedro Juan Caballero e já assumiu a investigação. A medida foi tomada em razão do temor de que o caso não seja devidamente apurado na cidade da província de Amambay, devido à influência do narcotráfico na região.

Fronteira tem nova execução

Na noite desta terça-feira, 13, mais uma execução ligada à guerra entre facções na fronteira vitimou Alba Luz Godoy Chavez, de 30 anos. Ela foi morta com cinco tiros de pistola calibre 9 mm em Capitán Bado, vizinha de Pedro Juan Caballero e da cidade brasileira de Coronel Sapucaia (MS). O atirador surpreendeu Alba em frente de casa, fez os disparos e fugiu de moto. Ela era suspeita de ter encomendado a morte de um homem que matou seu marido, Adibe Morel Dutra, também morto com tiros de pistola calibre 9 mm, em dezembro do ano passado.

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