Advogada ligada ao PCC chega para prestar depoimento

A advogada Ariane dos Anjos, investigada por colaboração com o Primeiro Comando da Capital, por participação no assassinato do juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente, Antônio Machado José Dias, ocorrido no dia 14 de março de 2003, chegou por volta das 12h40 desta quarta-feira, 6, para prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Armas, em Brasília. Ela já assinou o termo de compromisso sobre a condição que irá depor e não concedeu entrevista à imprensa.O relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), declarou que já tinha suspeita do envolvimento de Ariane no crime por causa das declarações informais de alguns presos ouvidos na Comissão. Segundo ele, essas informações não foram registradas em documentos oficiais da CPI porque os presos, com medo de represálias, comentavam o caso antes do depoimento. A convicção do relator foi formada com base em um cruzamento das visitas de Ariane aos presídios com dados da quebra de sigilo telefônico, bancário e fiscal da advogada, feito pela CPI. Ligações com o crimeO cruzamento mostra o contato permanente de Ariane com Priscila Maria dos Santos, que foi presa em 2002, aos 22 anos, e responde a processo por participação em ações do PCC. Priscila, segundo a polícia de Araraquara, era responsável por uma central telefônica da facção criminosa que funcionava na cidade desde 2001.Na época, os policiais informaram que Priscila namorava o assaltante Mário Élcio da Silva, preso na Penitenciária do Estado. Segundo técnicos da CPI, Priscila tem ligações com Luiz Henrique Fernandes, o LH, outro integrante do PCC que está preso.Priscila e LH são defendidos por Ariane. Também é cliente da advogada o chefe da facção criminosa, Marcos Camacho, o Marcola, além de vários outros integrantes do PCC. Para os técnicos da CPI, Priscila e Ariane funcionavam como contato entre o primeiro escalão do PCC, repassando ordens e recados.Cruzamento semelhante ao de Ariane será feito com todos os advogados investigados por suposta colaboração com o PCC. "Estamos fazendo a análise minuciosa de cada suspeito. Esse tipo de investigação é a forma de chegarmos às conexões entre eles", afirmou Pimenta.A CPI deverá votar a quebra do sigilo telefônico de Priscila, para chegar aos outros interlocutores, já que os parlamentares estão certos de que ela, associada a Ariane, fazia a ligação entre integrantes da facção.

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