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Advogado acusa delegado de forçar cliente a confessar duplo homicídio

O advogado Luiz Carlos Bento acusou ontem o delegado Antônio Sérgio Pereira, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de ter torturado Lucas do Nascimento, de 20 anos, obrigando-o a confessar um duplo homicídio ocorrido no dia 6. O adovogado fez uma queixa formal ao Ministério Público, ontem, e pedirá à Corregedoria da Polícia Civil que apure como ocorreu o depoimento. O delegado nega as acusações e diz que Nascimento confessou espontaneamente o crime, citando detalhes. O delegado disse também que irá processar o advogado por denuncia caluniosa.Nascimento foi detido pela PM no domingo para prestar depoimento sobre as mortes do casal Luiz Carlos Lopes do Amaral, de 29 anos, e Lucinéia de Lourdes Mazin, de 30, a tiros, na cama, ao lado de um bebê de 1,5 ano. Pereira estava de folga e foi chamado para formalizar o interrogatório, sendo que uma advogada do escritório de Bento acompanhou o depoimento de Nascimento, que tempassagens pela polícia por tráfico de drogas, homicídio e assalto à mão armada, segundo o delegado. Sem mandado de segurança e livre do flagrante, o acusado assinou a confissão e foi liberado.Pereira diz que teve denúncia sobre Nascimento e que o advogadoBento "tenta conseguir na pressão o que não consegue na esferajurídica". "Os clientes dele sempre são inocentes e não confessam",ironiza o delegado, acrescentando que Nascimento teria cometido oscrimes porque estava sendo ameaçado por uma dívida de R$ 600,00, da compra de uma submetralhadora, que foi apreendida e é apontada como a arma do duplo homicídio.Bento disse que Nascimento, durante uma prisão temporária que cumpriu, apanhou todos os dias. Por isso, teria assinado a confissão. Segundo o advogado, seu cliente também têm testemunhas de que não estava na cidade no dia do crime. "Ele trabalha como caseiro, num condomínio fechado de São Carlos, e tem como comprovar que estava lá naquele dia", diz o advogado. Ele afirma que a prática de tortura, durante prisões temporárias, para que confissões sejam declaradas e assinadas, é uma prática comum de delegados da DIG. A Delegacia Seccional também deverá investigar a denúncia.

Agencia Estado,

13 de agosto de 2002 | 16h20

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