Advogado barra depoimento de lobista à PF

Interpelado sobre fraudes, Fabio de Mello alegou direito de não responder às perguntas dos policiais

Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2011 | 00h00

O lobista Fabio de Mello afirmou, durante depoimento na semana passada à Polícia Federal, que em 2010 foi procurado para apresentar uma proposta de treinamento para o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), pivô do esquema revelado pela Operação Voucher. Mello disse que o contato foi feito por Luiz Gustavo Machado.

Exatamente no momento do depoimento no qual o lobista começava a falar sobre o caso, o advogado Hector Ribeiro Freitas entrou na sala onde ocorria a audiência e pediu para conversar em particular com seu cliente. Cerca de 15 minutos após, Mello retornou à sala e disse que se reservava o direito de não responder às demais perguntas.

Mesmo assim, os policiais fizeram todas as indagações programadas. Eles queriam saber, por exemplo, se o lobista conhecia funcionários do Ministério do Turismo, como o ex-secretário executivo Mario Moysés e o atual, Frederico Silva da Costa. Os policiais também fizeram perguntas sobre as relações entre o Ibrasi e a empresa MGP Brasil Consutoria Empresarial Ltda (da qual Mello é sócio). Mas o lobista não respondeu.

No início do depoimento prestado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, no dia 9, Mello afirmou que é administrador e consultor. Ele disse que é sócio-proprietário das empresas MGP-Brasil Consultoria Empresarial Ltda. e Norwell Administração Serviços e Informática Ltda EPP. O lobista afirmou que sua fonte de renda provém da empresa MGP e que gira em torno de R$ 10 mil a R$ 15 mil.

A reportagem do Estado telefonou ontem para o celular de Mello informado no interrogatório, mas não conseguiu falar com o lobista.

O advogado dele afirmou apenas que não era o seu cliente a pessoa que apareceu numa conversa gravada pela Polícia Federal, com autorização judicial, e divulgada pelo Estado na quarta-feira passada, mostrando o secretário executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva Costa, orientando um empresário a montar uma entidade de fachada para assinar um convênio com o governo federal e liberar dinheiro.

Fachada. Segundo relatório da PF, é com Mello que Frederico conversa sobre a montagem de um instituto para captar recursos federais. O diálogo, de acordo com os documentos, ocorreu no dia 20 de julho deste ano. "O importante é a fachada e tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo", orienta o secretário executivo. "Pega um negócio aí pra chamar a atenção, assim, de porte, por três meses (...). Mas é pra ontem! Que se alguém aparecer para tirar uma foto lá nos próximos dois dias, as chances são altas", afirmou Frederico, segundo gravação contida na investigação. Frederico foi um dos presos pela polícia sob a acusação de envolvimento em esquema fraudulento no ministério.

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