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Advogado de acusado de estuprar Mari Ferrer já defendeu Sara Giromini e Olavo de Carvalho

Cláudio Gastão da Rosa Filho é conhecido por suas atuações performáticas nos tribunais e possui clientes influentes

Fábio Bispo, especial para o Estadão

04 de novembro de 2020 | 20h57

FLORIANÓPOLIS - Cláudio Gastão da Rosa Filho, mais conhecido como Gastãozinho, ou Gastão Filho, é considerado um dos mais bem pagos e bem-sucedidos advogados de Santa Catarina. Como criminalista, é lembrado pelas atuações no Tribunal do Júri, sempre performáticas, e também pelo peso dos clientes. No currículo, já defendeu a extremista Sara Giromini, no inquérito das fake news; o ex-governador catarinense Leonel Pavan, que se livrou das acusações de corrupção; o assaltante de bancos Papagaio, conhecido por ações cinematográficas; entre outros empresários e traficantes populares. Ele também atuou na defesa de Olavo de Carvalho, no processo contra o cantor e compositor Caetano Veloso.

Dono de imóveis na capital catarinense, de um helicóptero e com uma garagem ocupada por veículos de modelos importados, Gastão sempre se orgulhou em dizer que podia escolher seus clientes, o que também fez com que seus honorários valessem mais que a média da tabela da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em um dos casos recentes, o de Sara Giromini (também conhecida como Sara Winter), Gastão deixou o caso devido à atuação simultânea de vários advogados, o que, segundo ele, dificultaria a estratégia de defesa. Já no caso do ex-governador Leonel Pavan, que durante algum tempo considerou seu maior feito, o advogado livrou o político da acusação de receber R$ 100 mil em troca de facilidades para uma empresa de combustíveis, em decisão de primeiro grau.

Em entrevista ao jornalista Emerson Gasperin, do Diário Catarinense, em 2016, Gastão afirmou: “Pelos meus clientes, eu vou até as portas do inferno. Mas não entro”.

Em 2009, Gastão, no entanto, não aceitou defender o blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, conhecido por denunciar políticos em seu blog. Escolhido como advogado dativo pela OAB catarinense, alegou dificuldades para atender o cliente. Mosquito cometeu suicídio em 2011, e possuía mais de 30 processos contra si, a maioria por políticos de considerável influência.

Mas esta semana Gastão ganhou os holofotes não pelo peso de seus clientes, tampouco pelas habilidades jurídicas de reverter processos, mas sim pela forma como abordou a influenciadora digital Mariana Ferrer na audiência que deu origem à decisão que acabou inocentando o empresário André de Camargo Aranha da denúncia por estupro de vulnerável.

Na audiência, Gastão insinua que a jovem estaria mentindo sobre o suposto estupro e argumenta que a relação dos dois foi consensual. Ele exibiu fotos feitas pela jovem antes do episódio e chegou a dizer que a menina tem como “ganha-pão” a “desgraça dos outros”.

Em nota enviada à reportagem, o advogado argumentou que “as dinâmicas entre a acusação e a defesa, especialmente em casos mais complexos, abrangem aspectos relacionados a hábitos, perfis, relacionamentos e posturas das pessoas envolvidas”.

Ele não repara as palavras que usou, nem as insinuações, como de que Mariana ganharia a vida por meio da “desgraça dos outros”, mas disse lamentar o que classificou de “mal entendido”. “Acredito ter atuado dentro dos limites legais e profissionais, considerando-se a exaltação de ânimos que costuma ocorrer em audiências como aquela”, afirmou o advogado.

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