Advogado de Andinho vai pedir anulação de depoimento

O defensor público Silvio Artur Dias da Silva, nomeado para defender Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, no processo em que ele é acusado de co-autoria da morte do ex-prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, afirmou que irá pedir a anulação do depoimento de seu cliente, ocorrido na semana passada. O assassinato completou um ano hoje.Andinho depôs à Justiça de Presidente Bernardes, na Penitenciária de Segurança Máxima da cidade, onde está preso. Além do assassinato de Toninho, ele responde por cinco crimes de seqüestro, com sete vítimas. O réu negou participação na morte do prefeito. Silva afirmou que está apenas aguardando que o precatório seja anexado ao processo para pedir a anulação do depoimento à Justiça de Campinas. Ele quer que Andinho seja interrogado em Campinas, onde corre o processo. Alegou que pedirá a anulação porque o depoimento no presídio é inconstitucional. "Embora seja um prédio público, não é um local público, como determina a Constituição", argumentou Silva. Ele afirmou que as audiências, mesmo referentes a processos que correm em segredo de Justiça, devem ser acessíveis a qualquer pessoa que queira assisti-las. O advogado reconheceu que o teor do depoimento de Andinho não deverá mudar mesmo que uma nova audiência seja feita. Mas alegou que gostaria de orientar seu cliente antes de ele ser interrogado. Silva explicou que não pode ir a Presidente Bernardes para fazê-lo porque sua área de atuação como defensor público é Campinas. A Justiça optou pelo depoimento em Presidente Bernardes por questões de segurança, para evitar que o réu tivesse que ser deslocado e pudesse ocorrer uma tentativa de resgate. Para o Ministério Público de Campinas, a alegação de Silva não procede. O promotor criminal Fernando Viana afirmou que nenhum direito do acusado foi violado e, por isso, não houve "nada de inconstitucional". Segundo Viana, o ato do interrogatório é privativo do juiz e não precisa ser feito em local público. Ele acrescentou que o depoimento será anexado ao auto do processo e, aí sim, poderá ser acessado por qualquer pessoa interessada. "O defensor está criando fatos para que o réu não seja levado a julgamento", afirmou.Viana lembrou que, se houver um novo depoimento certamente Andinho irá negar novamente sua participação no caso. "Já esperávamos por isso", disse, insistindo que a negativa em nada interfere no processo, baseado em provas materiais obtidas durante as investigações. O promotor enfatizou que o traslado de Andinho a Campinas demandaria uma grande e desnecessária operação policial. "O depoimento foi colhido onde ele está preso visando justamente o interesse público, a proteção da sociedade", disse.O pedido de Silva será encaminhado à Justiça de Campinas e, caso seja indeferido, ele promete recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado. A próxima fase do processo será a audiência das testemunhas de acusação. PoliciaisA Corregedoria de Polícia do Estado está ouvindo os depoimentos dos policiais envolvidos na primeira fase de investigação da morte do prefeito, quando ainda era conduzida pela Delegacia Seccional de Campinas. Pouco mais de um mês após o assassinato, quatro rapazes foram detidos como suspeitos e acabaram liberados por falta de provas. Apenas um permanece preso por outras acusações. As advogadas dos rapazes pretendem entrar na Justiça pedindo indenização por danos morais e físicos. Três suspeitos, Anderson Davi, Flávio Mendes Claro e o então menor A.S.C., afirmaram que confessaram sob tortura. O quarto e último a ser detido, Globerson da Silva, sempre negou participação no crime. Em janeiro deste ano, a polícia de Campinas deixou o caso, que passou para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo.O Ministério Público solicitou à Corregedoria que fosse aberto um inquérito para apurar o caso. O promotor Fernando Viana disse que é preciso averiguar se houve tortura e, se não houve, que motivos levaram os três rapazes a confessar o crime com relatos semelhantes. Ainda não há previsão de quando o inquérito será concluído. Homenagens Toninho foi homenageado hoje em uma missa na Catedral Metropolitana de Campinas, da qual participaram cerca de 800 pessoas, inclusive membros do PT, a prefeita Izalene Tiene (PT), secretários municipais, vereadores, a viúva Roseana Garcia e parentes do prefeito.Durante todo o dia, ocorreram oficinas de artesanatos e atividades variadas na Praça da Catedral, sob o tema contra a Impunidade. Até o final da tarde, pelo menos 200 pessoas já haviam passado pelas oficinas. Às 16h, o prefeito foi homenageado na Câmara Municipal. Às 18h está previsto um ato ecumênico, também em frente à Catedral, com participação de políticos estaduais do partido.

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