Advogado de Cabrini pede relaxamento de prisão

Alberto Zacharias Toron diz que prisão foi ?forjada e feita sob ameaça?

O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2008 | 00h00

O advogado do jornalista Roberto Cabrini, Alberto Zacharias Toron, pediu ontem na Justiça o relaxamento da prisão ou a concessão da liberdade provisória de seu cliente, preso em flagrante por tráfico de drogas na tarde de anteontem em uma favela na zona sul da capital. Para Toron, a prisão "foi forjada e feita sob ameaça" e Cabrini "foi vítima de uma grande arbitrariedade policial". Segundo o criminalista, a promotora do caso se prontificou a dar um parecer hoje e ele acredita que a decisão deve sair até o fim da tarde. Cabrini foi preso por duas equipes do 100º Distrito Policial, no Jardim Herculano, ao sair com seu carro importado, um Citröen C5 preto, de uma favela da região. Ele estava acompanhado de Nadir Domingos Dias, de 49 anos, conhecida como Nádia. A mulher afirma ser amante do jornalista. No porta-objetos do carro foram encontrados 15 papelotes de cocaína, 4 deles vazios - a droga foi anexada ao inquérito como prova material do flagrante. No depoimento à polícia, Cabrini disse desconhecer a origem da droga ou ser o dono dela. E afirmou ao delegado do caso, Ulisses Augusto Pascolati, que Nádia era uma de suas principais fontes com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que marcara o encontro na favela porque ela lhe prometera três DVDs - um com imagens de maus-tratos em presídios e dois com depoimentos de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção criminosa. Cabrini reclama, no depoimento, que os policiais não teriam voltado diante da padaria em que foi preso, onde os supostos DVDs teriam sido destruídos e jogados na calçada por Nádia. Na bolsa da mulher, que figura como testemunha no processo, os policiais encontraram um pen drive com três vídeos gravados por um celular, num total de 18 minutos, em que Cabrini é flagrado consumindo cocaína. O jornalista afirmou no interrogatório que consumiu a droga porque teria sido ameaçado com arma de fogo por Nádia. "O ato se deu sob ameaça e de forma perversa ele foi filmado por essa mesma mulher que também plantou o flagrante", acusou o advogado de Cabrini. "Obviamente que esse homem não é traficante e não poderia ser tratado como tal ", protestou Toron.Nádia também afirmou que Cabrini a ameaçava. Ela disse que mantinha relações há mais de três anos com o jornalista, que queria se afastar dele e que não conseguia por sua agressividade. Segundo ela, seu filho - autor do vídeo - chegou a comprar drogas para Cabrini consumir na chácara dela, também na zona sul. Em nota, a rede Record, onde Cabrini trabalha, informa que havia "registro interno que o repórter estava desenvolvendo uma reportagem de caráter investigativo". Ao final, afirma acreditar "na Polícia e na Justiça do Estado de São Paulo e espera a correta elucidação dos fatos".

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