Advogado de dono da boate Kiss rechaça homicídio doloso

Advogado diz que proprietário solicitou aos bombeiros uma vistoria após reforma da boate, mas não foi atendido

Guilherme Waltenberg,

30 Janeiro 2013 | 14h41

SÃO PAULO - O advogado Jáder Marques, que defende o empresário Elissandro Spohr, o Kiko, um dos proprietários da boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde um incêndio matou 235 pessoas na madrugada do domingo, 27, rechaçou, nesta quarta-feira, a hipótese de homicídio doloso - quando há intenção de matar - para o caso, alegando que o proprietário estava no estabelecimento acompanhado de sua mulher grávida quando teve início o fogo.

"Ele não tinha essa consciência porque ele estava dentro dela. Ele estava com a mulher dele e o futuro filho. Ele não assumiu o risco porque ele não tinha consciência que aquilo ali pudesse causar o que causou", afirmou o advogado durante coletiva de imprensa, na manhã desta quarta-feira.

Marques afirmou ainda que o proprietário da casa noturna está "emocionalmente instável" desde o acidente e que, inclusive, chegou a tentar suicídio na noite de terça-feira. "Há um quadro de instabilidade emocional dele (Kiko). Houve uma tentativa de suicídio ontem. Ele está controlado por medicações e contenção física, ele está algemado na cama", informou Marques. Essa instabilidade, disse o advogado, é ocasionada pelo seu cliente ter perdido "amigos e funcionários" durante o incêndio. "O Kiko sofreu a perda de seus amigos que também são funcionários dele. Não é possível imaginar que ele esteja alheio, que não tenha sentimentos com relação a isso", afirmou.

Sobre a alegação de que a casa estaria funcionando com o alvará vencido, Marques disse que o proprietário tinha feito reformas no local e já tinha solicitado aos bombeiros para que fizessem vistorias, o que não aconteceu. "A casa estava funcionando e estava esperando vistoria do governo. A tentativa de solução dos problemas de ruído (que segundo o advogado a boate havia resolvido) precisa ser feita antes da vistoria", disse.

O advogado citou ainda uma vistoria da lei antifumo, que a casa teria passado sem problemas. "Ele foi fiscalizado de surpresa pela vigilância antifumo, ele passou ileso por essa vigilância", afirmou.

Questionado sobre a ausência do número mínimo de portas exigido para o funcionamento da casa, Marques disse que o proprietário havia respeitado todas as ordens dadas em vistorias anteriores. Segundo o advogado, a casa contava com duas portas. "Ele colocaria uma terceira porta se fosse solicitado. Quantas portas ele colocaria se fosse ordenado? Todas. Se a fiscalização determinasse, ele faria as portas", afirmou, ressaltando que não houve pedido para a colocação de outras portas de saída.

Sobre o uso de fogo no palco da casa noturna por integrantes da banda que se apresentava, o advogado afirmou que a banda fez a performance sem o prévio conhecimento do dono da boate. "Essa banda tocou inúmeras vezes na casa e nunca usou esse aparelho (que solta fogo). Eles não conversaram com o Kiko. A banda fez isso de surpresa. Foi para causar frisson, surpresa", alegou.

Marques negou ainda que esteja havendo uma tentativa de encobrir provas por parte dos donos do estabelecimento. Indagado sobre o suposto sumiço de câmeras após o incêndio, o advogado disse que as máquinas estavam com problemas técnicos, e que não houve a tentativa de escondê-las.

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