Advogado de garimpo defendeu empresa ligada à família de Lobão

Ministério Público apura se a cervejaria Itumar, suspeita de sonegação de impostos, teria Edinho como sócio oculto

Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Ao mesmo tempo que recebeu dinheiro da empresa canadense Colossus, que vai explorar ouro de Serra Pelada, o advogado José Antonio Almeida defendeu a empresa de distribuição de cervejas Itumar, acusada pelo Ministério Público de sonegar R$ 46 milhões em impostos.

O tesoureiro da Itumar era Newton Barjonas Lobão, irmão do senador Edison Lobão (PMDB-MA). O Ministério Público investiga se Edinho Lobão, filho do senador, é sócio oculto da empresa. Ele teria repassado suas ações na Itumar para uma empregada doméstica com o intuito de se livrar da dívida com a Receita Federal.

Neste ano, o escritório de José Antonio Almeida conseguiu suspender na Justiça do Maranhão um processo movido pelo Ministério Público do Estado contra a empresa Itumar.

Ontem, a reportagem do Estado mostrou que Almeida negociou a minuta de um contrato de R$ 1 milhão com a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).

No período em que o governo analisava o pedido da empresa Colossus para explorar o garimpo, foram repassados R$ 200,4 mil para a conta do advogado.

Ao Estado, ele negou ter recebido esse valor, mas não soube dar detalhes sobre os trabalhos jurídicos que teria prestado à cooperativa do garimpo para receber outros honorários.

O advogado, conhecido pelo apelido de "Almeidinha", trabalhou na campanha política de Edison Lobão ao governo do Estado, em 1990, defendeu o empresário Edinho Lobão, filho do senador, num processo de uma emissora de TV em Imperatriz contra o INSS e atuou em causa do deputado federal José Sarney Filho (PV-MA).

Explicação. Almeida disse que ainda defende a Itumar. "Mas nunca fui advogado da Bemar, que teve o Edinho Lobão como sócio. Uma empresa criada para pegar uma concessão da Schincariol, mas não saiu essa concessão. Eu não advoguei para ela." Ele acrescentou que também advogou para Edinho. "Eu advoguei há muito anos para o Edison Lobão Filho, num processo. Era uma questão envolvendo uma empresa, uma TV, em Imperatriz. Havia um problema de recolhimento de INSS, uma denúncia, e eu o defendi. Pode ter sido até recente."

"Eu sou profissional da advocacia e essa é minha obrigação. Não sou aliado político. Não sou indicado para essa advocacia por ser aliado. A pessoa me procura pela experiência que tenho", frisou.

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