Advogado de italiano preso por beijar filha pede soltura

O advogado do turista italiano de 40 anos preso em Fortaleza acusado de fazer carícias íntimas e beijar na boca a filha de 8 anos, Flávio Jacinto, entrou ontem com pedido de soltura de seu cliente. Ele reafirma que o italiano deu apenas um "selinho" na filha e que o ato é um costume comum em seu país de origem. Um casal ouvido pela polícia cearense, no entanto, afirmou que viu o estrangeiro tocando as partes íntimas da menina e que ele a abraçava "como se estivesses abraçando uma pessoa adulta".

Carmen Pompeu, FORTALEZA, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

"Aquilo nos incomodou até o ponto em que vimos o homem beijar a menina duas vezes na boca, num intervalo de 30 minutos. Por vezes, ele ficava amarrando e desamarrando o biquíni dela e olhando de lado como se estivesse tentando disfarçar alguma coisa", comentou uma das testemunhas em entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo. A TV também exibiu imagens do italiano saindo da piscina junto com a filha após serem abordados pelos policiais.

A delegada responsável pelo caso, Ivana Timbó, da Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, vai solicitar as imagens gravadas pelo circuito de segurança da barraca, na Praia do Futuro, onde o episódio ocorreu. Funcionários do estabelecimento, também ouvidos pela polícia, afirmaram não ter visto nada anormal.

De acordo com a delegada, a menina (de nacionalidade italiana) disse que não acreditava que pudesse haver maldade nos carinhos do pai. O mesmo teria dito a mãe da garota, uma brasileira que, segundo o advogado da família, não quer conceder entrevistas.

O italiano continua numa cela comum do 2º Distrito Policial, no bairro Aldeota. Ele foi preso em flagrante na barraca Croco Beach, na Praia do Futuro, na terça-feira, e enquadrado na nova lei que trata dos crimes contra a dignidade sexual, em vigor desde o dia 7 do mês passado. Caso o crime seja comprovado, o italiano pode pegar até oito anos de reclusão, segundo a nova legislação.

A lei atual ampliou a conceituação do que é estupro e também endureceu a pena para os acusados. De acordo com um artigo, o estupro vulnerável é quando alguém tiver "conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos". O advogado do italiano, Flávio Jacinto, disse que seu cliente foi vítima de "uma grande confusão". A delegada que assumiu o caso tem dez dias para concluir as investigações.

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