Advogado de Silvânia sustenta que Danieli foi dada

O advogado Paulo Roberto Bonavides Duarte Bonavides, que defende Silvânia Clarindo de Souza, acusada de levar duas crianças de hospitais da Baixada Santista, afirmou hoje ter certeza de que Danieli, de 13 anos, foi dada pela mãe biológica, Márcia Aparecida Jeremias, à sua cliente em 1990, quando tinha apenas cinco dias. Ele se baseia em depoimento da própria Márcia, que dias depois declarou que havia dado a filha e o inquérito foi arquivado. "Márcia declarou isso aos policiais que, vendo a confusão que ela fazia, dizendo ora que a criança fora subtraída, ora que teria dado a filha a uma pessoa, não deram seqüência ao caso e pararam as investigações, na certeza de a mãe havia dado a filha." Bonavides esclareceu que no único depoimento prestado por Silvânia no caso da menina, ela assumiu que era mãeadotiva, que havia recebido a criança para criar, e que havia feito o registro em seu nome.Com a descoberta de que Silvânia Clarindo de Souza havia tirado os meninos Filipe e Alexsandro de maternidades da Baixada Santista e registrado-os em seu nome e que suas duas filhas, Danieli e Daine, foram dadas a ela para criar, os policiais pediram o desarquivamento do inquérito sobre o sumiço da filha de Márcia e acabaram chegando a seus parentes em Curitiba.Hoje, a equipe chefiada pelo delegado da DIG de Santos, Gaetano Virgine continuava na capital paranaense colhendo depoimentos e material para exame de DNA para confirmar se Danieli é filha de Márcia. Silvânia será chamada nos próximos dias para explicar como e de quem recebeu a menina para criar. A suspeita é de que a menina foi também retirada da mãe sem seu consentimento, conforme sempre acreditaram os familiares de Márcia, que havia inclusive preparado o enxoval para a filha, que seria batizada com o nome de Vanessa. O advogado Benevides acha que "em razão de dificuldades financeiras, ela acabou doando a criança e, inclusive, fugiu do hospital".Bonavides se baseia também no depoimento de Silvânia e acredita que ele seja verdadeiro. "No caso do Filipe, elaconfessou tudo; no do Erick (Alexsandro), ela compareceu espontaneamente e entregou o menino e esse foi um dos dias maistristes que já vi, para o menino, para ela e seus familiares. Mas ela foi lá espontaneamente e entregou o filho." Já em relação às duas meninas, o advogado destacou que foi Silvânia quem apontou as mães biológicas, demonstrando queestá sempre colaborando. "É um caso de repercussão, a sociedade quer cadeia, só que o delegado, de uma forma muito clara ecom base na lei, não pediu sua prisão porque ela tem colaborado, tem residência fixa, entregou o Erick espontaneamente,mostrou onde mora as duas mães".Segundo Bonavides, Silvânia "só falou a verdade, sabe que errou, quer pagar por seu erro, mas na medida de sua culpabilidade. O que não pode é querer a forca, a prisão perpétua, a morte, até porque não existe em nosso ordenamento jurídico".Silvânia não tem atendido os jornalistas que a procuram e o Paulo Roberto Dutra Bonavides disse que ela não está emcondições para isso. "Ela é evangélica, tem recebido apoio de sua comunidade religiosa, mas chora o dia todo e está sealimentando muito mal em função da crise depressiva".

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