Filipe Araujo/AE
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Advogado de Verônica decide fazer 'investigação paralela'

Sérgio Rosenthal diz que uso político dos dados é claro e que sua apuração será uma 'contribuição' ao trabalho da PF

Bruno Tavares, Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

O advogado Sérgio Rosenthal, que representa Verônica Serra, decidiu abrir o que chamou de "investigação paralela" sobre a quebra de sigilo fiscal da filha do candidato à Presidência José Serra (PSDB). Experiente criminalista, Rosenthal planeja fazer um pente-fino em publicações, inclusive blogs partidários, para estabelecer o alcance e as consequências do vazamento que atingiu também o empresário Alexandre Bourgeois, genro de Serra. "O uso político dessas informações é muito claro. É impossível desvincular essa violação da campanha presidencial."

O furo do sigilo dos familiares de Serra foi obtido por meio de falsas procurações atribuídas a Verônica e Alexandre, entregues na Delegacia da Receita de Santo André em 29 de setembro de 2009. Os documentos forjados foram usados pelo contador Antônio Carlos Atella Ferreira, que foi filiado ao PT por quase seis anos. Aos documentos ele juntou pedidos de cópias das declarações de renda dos alvos da devassa. Em 24 horas a operação estava concluída - a Receita liberou os informes da filha e do genro de Serra.

"Em setembro do ano passado a campanha presidencial já havia sido deflagrada", observa Rosenthal. "Já se sabia que Serra seria o candidato da oposição. Por que quebraram o sigilo de Verônica e Alexandre, que nem sequer são filiados a partido e jamais tiveram qualquer atuação política? Por que na mesma ocasião outras pessoas intimamente ligadas ao candidato (Serra) e ao partido de oposição também tiveram seus dados violados? Não posso atribuir a nenhum partido essa ação ilegal. Como criminalista todo dia eu luto pelo respeito ao princípio da presunção de inocência."

Rosenthal destaca que não é cético com relação à Polícia Federal e que confia na investigação a cargo do delegado Hugo Uruguai. "Essa investigação paralela é válida, é uma contribuição ao trabalho da PF. O artigo 14 do Código de Processo Penal confere ao ofendido, ou a seu representante legal, autoridade para requerer diligências. Pretendo exercer esse direito. O Estado foi ofendido e, secundariamente, Verônica e Alexandre."

O advogado tem uma linha definida de atuação. Ele quer saber a quem Atella entregou as declarações de renda da filha e do genro de Serra. "Diversas informações sobre o casal foram divulgadas nos últimos meses, antes mesmo do estouro do escândalo. Quero examinar tudo, talvez eu possa concluir que algum blog, por exemplo, recebeu os documentos e ir atrás da origem."

Ontem, Verônica e Alexandre foram depor na PF. A filha de Serra foi intimada sábado, quando desembarcou em Cumbica de uma viagem a Nova York - um agente federal a abordou no finger. "Foi uma formalidade", anotou Rosenthal.

O casal declarou que jamais outorgou procurações para que Atella solicitasse cópias de seus dados. Eles afirmaram que não conhecem o contador e que suas assinaturas foram forjadas.

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