Advogado diz que polícia tentou recolher projétil que atingiu manifestante no Rio

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ disse ter ouvido de familiares de vítima que policiais da corregedoria estiveram no hospital

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2013 | 15h38

RIO - Baleado nos dois braços na noite de terça-feira, 15, durante a manifestação no centro do Rio, Rodrigo Gonçalves Azoubel, de 18 anos, foi procurado na madrugada desta quarta por policiais da Corregedoria da Policia Militar na Clinica São Vicente, onde está internado, afirmou o advogado Marcelo Chalréo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ).

"A família afirmou que policiais da corregedoria estiveram aqui de madrugada e a informação que circula entre funcionários do hospital é que a corregedoria esteve aqui, sim. O objetivo claro era recolher o projétil", afirmou o advogado. "O recolhimento do projétil, se ele existisse, dificultaria qualquer investigação. É um indício grave. O que querem ocultar? Por que estiveram aqui antes da Policia Civil?".

Chalréo esteve na manha desta quarta com o manifestante baleado e seus parentes na clínica particular da Gávea, na zona sul, acompanhado do delegado da 15ª DP, Orlando Zaccone, e do advogado da comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa, Thomaz Ramos.

Azoubel foi baleado por volta de 20h30 na Rua Santa Luzia, no centro. Segundo informações preliminares, o tiro atravessou os dois braços. O manifestante foi operado e não corre risco de morrer. "Ele não soube informar de onde veio o disparo. Disse que não ouviu sequer barulho, sentiu uma dormência no braço e teve atendimento de voluntários. Sem esses primeiros socorros prestados por estudantes de medicina ainda no local, ele poderia estar morto, segundo informações que recebemos no hospital", afirmou o delegado.

"Aparentemente foi um tiro de pequena distância. Fotos dos ferimentos indicam a presença de pólvora", disse Chalréo. "Só a investigação poderá dizer o que ocorreu. Mas quem participa de manifestações não pode ser tratado a bala", acrescentou representante da OAB.

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