Advogado dos Sendas suspeita que morte foi encomendada

Nilo Batista considera 'leviano' que polícia tenha encerrado inquérito do homicídio com prisão de motorista

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 18h22

O advogado Nilo Batista, que defende a família Sendas, pedirá à polícia que investigue a possibilidade de Arthur Sendas ter sido assassinado por encomenda. Batista, que foi advogado do empresário por 30 anos, considera "leviano" o encerramento do inquérito sobre o homicídio com a prisão do motorista Roberto Costa Júnior, de 28 anos, que fez o disparo. "Há algumas questões em que convém dar uma olhada. Vou requerer formalmente as diligências cabíveis", disse, sem entrar em detalhes sobre as possíveis motivações do crime.   Veja também: Polícia descarta disparo acidental em assassinato de Sendas Corpo do empresário Arthur Sendas é enterrado no Rio Rede Sendas começou como armazém na Baixada Fluminense   Ele lembrou que Sendas, por temor de seqüestros, andava com forte aparato de segurança, que incluía carro blindado e escolta de dois veículos com agentes. "Ele não seria morto como o vereador (Alberto Salles, que trafegava em carro sem blindagem, com vidros abertos e sem seguranças, quando foi executado na manhã de terça-feira). Para chegar ao seu Arthur, teria que ser dessa forma: com uma pessoa próxima a ele".   Para Batista, alguns indícios levam a crer que o assassinato de Sendas não foi apenas um gesto desesperado de Costa Júnior. Batista disse considerar suspeita a versão do motorista de que foi até o apartamento, por volta da meia-noite, pedir dinheiro ao patrão. "Seria a milésima vez (que ele pedia dinheiro). Por que faria isso nesse horário, com uma pistola automática com bala na agulha?"   Além disso, conta o advogado, o motorista não seria demitido com a viagem do neto de Sendas para os Estados Unidos, para quem o rapaz dirigia. Ele seria aproveitado em outra função. Batista diz que Costa Júnior sabia disso. O terceiro indício foi uma conversa na tarde de segunda-feira entre Batista e o pai do assassino, o motorista Roberto Costa, funcionário da família Sendas desde 1980, no apartamento em que ocorreu o crime, no Edifício Juan Les Pins, no Leblon.   "Eu disse para o pai: 'se ele fez por encomenda, está correndo risco de vida. Se foi crime de mando, ele é um arquivo a ser apagado. A melhor coisa seria se entregar'. O fato é que horas mais tarde ele se apresentou à polícia, com uma história fechada, assistido por advogado", afirmou Batista, que disse temer pela integridade de Costa Júnior.   O delegado-titular da 14.ª Delegacia de Polícia, José Alberto Pires Laje, que tomou, informalmente, o depoimento de Costa Júnior na madrugada do crime, não quis comentar as declarações do advogado. Ele informou que apenas a delegada-adjunta Bianca Araújo poderia falar sobre as investigações. Nesta quarta-feira, 22, não era o dia de plantão dela na delegacia. O advogado de Costa Júnior, Alexandre Félix, não retornou as ligações do Estado.

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