Advogado e delegado travam acusações no interior de SP

Um dia após o advogado Luiz Carlos Bento denunciar o delegado Antônio Sérgio Pereira de ter coagido e forçado um cliente seu a confessar um duplo homicídio, além de torturar outros presos, a polícia de Ribeirão Preto, no interior paulista, divulgou uma gravação telefônica, de 1998, autorizada pela Justiça, em que o Bento dizia a um pai que não acompanhasse o interrogatório do filho, acusado de matar o prefeito de Igarapava, pois depois alegaria que ele teria apanhado da polícia.O delegado Odacir Cesário da Silva, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), disse que fará representação criminal e na Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra Bento. O advogado diz que a divulgação da fita é criminosa. "Não é um ataque, mas a defesa da polícia, além de mostrar a forma do advogado agir", afirma Silva, defendendo-se da acusação de represália indicada pelo advogado.Na gravação, que havia sido autorizada durante a investigação da morte do prefeito de Igarapava, Gilberto Soares dos Santos, em outubro de 1998, consta a conversa de Bento com o pai de Johnson Gonçalves, um dos acusados do crime. Num dos trechos do diálogo telefônico, Bento diz: "...arrancar um pedaço não vão. Agora, se ele fala alguma besteira no interrogatório da polícia, nós dizemos que ele apanhou para poder falar daquele jeito. Se ele não fala besteira nenhuma, a gente não acusa a polícia de nada."Silva disse que Pereira, o investigador e o carcereiro, mencionados por Bento na denúncia, deverão pedir indenização. As fitas da denúncia serão requisitadas ou apreendidas como prova. Bento alega, na defesa, que o conteúdo da fita não poderia ter sido divulgado, que só serve ao processo original e que, por isso, a polícia cometeu um crime. Silva diz que o processo é público.O advogado sustenta a denúncia de que alguns integrantes da polícia usam a tortura para obterem confissões de crimes. Ele disse isso após seu cliente, Lucas do Nascimento, de 20 anos, ter confessado um duplo homicídio ocorrido no dia 6. Para evitar a prisão temporária, e possíveis tortura, Bento diz que Nascimento sentiu-se forçado a confessar o crime, mesmo sendo inocente. Após a confissão, ele foi liberado.

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